Franquias cancelam taxas e ajudam empreendedor a conseguir crédito

Modelo de negócio em rede dá suporte na crise, mas pode dificultar reação rápida de empresário

Em meio à pandemia, franqueadoras estão adotando ações para apoiar os empresários de sua rede. As medidas vão desde a isenção do pagamento de royalties até a negociação de crédito junto aos bancos.

No Brasil, há 2.918 redes de franquia que, em conjunto, correspondem a 160.958 unidades espalhadas por todo o país, segundo dados de 2019 da ABF (Associação Brasileira de Franchising).

O faturamento médio de uma unidade franqueada gira em torno de R$ 95 mil por mês, afirma Antonio Leite, vice-presidente da ABF.

“Isso demonstra que o mundo das franquias é formado por micro e pequenos empresários. Muitos deles trabalham para gerar sua própria renda, não existe uma cobertura de liquidez suficientemente grande para fazer frente a esse desafio”, diz.

Uma das ações tomadas pela rede de acessórios Morana foi ajudar franqueados a analisar o fluxo de caixa e entender suas necessidades nessa época, chamada pela empresa de período de hibernação.

A rede prorrogou o prazo de pagamento de boletos relativos a royalties e compras de produto, renegociou com fornecedores e busca facilitar o acesso a empréstimos.

“Estamos falando com os bancos para ter um ponto focal, aí cada franqueado vai atrás do crédito com uma taxa já pré-negociada por nós”, diz Danilo Assumpção, porta-voz da marca.

Tatiane sentada em um sofá

As decisões são tomadas a partir de reuniões semanais de um comitê de crise, formado por representantes dos franqueados. A empresária Tatiana Caldeira, 40, é uma das participantes do grupo.
Dona de uma unidade no Shopping Light, no centro de São Paulo, ela estima uma perda de faturamento de R$ 150 mil entre março e maio.

Tatiana destaca que a relação com a franqueadora tem sido importante para receber orientações quanto a medidas trabalhistas possíveis e preparo da estratégia comercial para o retorno à atividade, de olho no Dia das Mães. “Eles estão nos amparando”, diz.

Presente em 16 países, a rede de escolas Maple Bear usou a experiência de suas unidades com a quarentena na Ásia para preparar seus franqueados brasileiros. Uma das ações foi treinar professores para o ensino a distância, aproveitando a estrutura virtual da marca.

Ao mesmo tempo, foi necessário adotar medidas específicas para a realidade brasileira e, dentro dela, para cada estado, uma vez que as restrições de funcionamento variam de acordo com a região.

“Alguns países tiveram apoio do governo diretamente. Aqui no Brasil não tivemos isso de forma tão estruturada no início, então corremos atrás de suporte via bancos, que forneceram carência e taxas de juro baixas para nossos franqueados”, diz Arno Krug, presidente da Maple Bear Brasil.

A marca também eliminou o pagamento de royalties e reduziu em 50% o fundo de marketing. Richard Debre, dono de uma franquia da rede em Mogi das Cruzes (SP), afirma que, para ele, mais importante do que as isenções tem sido o apoio pedagógico, com orientações sobre como fazer alfabetização a distância e organizar a rotina dos alunos.

O Grupo Kalaes, detentor das marcas Brasil Canadá, Instituto Ana Hickmann, Maislaser by Ana Hickmann e Odonto Special, criou comitês de assessoramento jurídico, financeiro e comercial. O pagamento de royalties foi prorrogado e parcelado, e uma carência de 60 dias foi concedida a novos franqueados que ainda estão pagando a taxa de franquia.

A Maislaser também negociou junto aos fornecedores dos equipamentos uma carência de 30 dias no pagamento para quem acabou de adquirir a máquina, diz Sidney Kalaes, presidente do grupo.

Na rede de franquias O Boticário –a maior do Brasil, com quase 4.000 unidades– os prazos de pagamento das compras de produto pelos franqueados e revendedores foram prorrogados, parcelados em até oito vezes. A taxa de contribuição com ações de marketing também foi eliminada até maio.

“Além disso, revisamos a grade dos próximos lançamentos, visando redução de custo e capital de giro. Aberturas e reformas de pontos de venda estão postergados, acompanhamos a negociação com os principais fornecedores e parceiros da rede, garantindo prorrogação de título e mitigação do impacto em aluguéis, condomínios”, diz, em nota, Artur Grynbaum, presidente do grupo.

Se por um lado as redes têm oferecido esse apoio aos empresários, por outro o modelo exige obrigações do franqueado que um empreendimento tradicional não tem.

“Normalmente, a franquia é um modelo de negócio mais fechado e engessado. O empresário tem menos liberdade na tomada de decisão, e isso acaba deixando mais lento o processo. Em contrapartida, ele tem ponto positivo, que é toda estrutura por trás”, avalia Felipe Chiconato, consultor do Sebrae-SP.

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