Globo sai à caça de startups para salto tecnológico e de inovação

Compra de participação em empresas iniciantes gera insights e novos aprendizados, diz futuro chefe do braço de investimentos do grupo

Roberto Marinho Neto assume em janeiro o posto de “head” da Globo Ventures, braço de investimentos do grupo. Mas já tem atuado, ao participar de negócios recentes.

No início do mês, foram aplicados R$ 13 milhões na israelense Pixellot, empresa de tecnologia de captação automática de eventos esportivos. Ao longo da última década, o neto de Roberto Marinho se dedicou a reformular o esporte na Globo, em meio à crescente concorrência por direitos e publicidade.

Outros investimentos vêm sendo realizados em startups e empresas mais ou menos estabelecidas, sempre ligadas a serviços de tecnologia, como Rappi, Enjoei, Órama e Buser.

Roberto Marinho Neto, 36. No comando da Globo Ventures, segundo comunicado do grupo, terá “responsabilidade sobre os investimentos diretos dos acionistas em novos negócios, mantendo uma relação de proximidade e troca com a Globo”. Fez administração no Ibmec do Rio e especialização no programa de EMT (Entretenimento, Mídia e Tecnologia) da New York University. Assumiu em 2012 as primeiras funções executivas na Globo, em esportes – Divulgação

Em parte deles, o mecanismo usado para o negócio é “media for equity”, que em suma prevê a troca de publicidade nos veículos do Grupo Globo, sobretudo Rede Globo, por participação acionária. Mas há outras formas, inclusive o aporte direto em empresas iniciantes, designado “venture capital” ou capital de risco, daí o nome da unidade.

Em entrevista, Marinho Neto, que sai da estrutura executiva da Globo, detalha a estratégia na nova frente do grupo.

Na estratégia da Globo para se tornar “media tech”, qual é o papel a ser cumprido pela Globo Ventures? 

O grande papel da Globo Ventures é olhar para fora. Para o mundo e para o Brasil, para os novos negócios e as novas formas de fazer negócios. Apostamos no empreendedorismo brasileiro e pretendemos, com a nossa atuação, fomentar esse ecossistema aqui no país.

No foco de investimentos da Globo Ventures estão empresas de tecnologia de crescimento acelerado, startups e techs que geram insights, oportunidades de inovação e maior interface com essa dinâmica e esse mercado empreendedor. Investir em segmentos em que as empresas Globo não estavam presentes nos dá a oportunidade também de novos aprendizados.

E apostamos que, dessa forma, aliando esses aprendizados com tecnologia e inovação trazidas pelo portfólio de investimentos da Globo Ventures, contribuímos para o processo de transformação pelo qual a Globo passa.

Há a possibilidade, por exemplo, de eventualmente integrar mais os novos negócios ao grupo? 

Sim. Os investimentos da Globo Ventures proporcionam conhecimento de mercado, e em alguns casos de públicos e comunidades, que podem ser valiosos para o desenvolvimento da nossa estratégia, mas acreditamos também que esses negócios podem ganhar muita força com a proximidade com a Globo.

Apostamos que colocar o alcance e a relevância das empresas Globo, que falam todos os dias com mais de 100 milhões de brasileiros, à disposição desses parceiros, com nossa publicidade ou com nossos conteúdos, pode trazer enormes ganhos para as empresas nas quais investimos. É um modelo que tem como premissa o crescimento de todos os negócios envolvidos.

No anúncio, em novembro, foi informado que a Globo Ventures terá relação constante e de proximidade e troca com a Globo. As operações de “media for equity” passam a ser realizadas via Globo Ventures? Sim, exatamente. As operações “media for equity” serão realizadas pela Globo Ventures, que manterá relação constante de proximidade e troca com o Grupo Globo. É a Globo Ventures que é parceira dessas empresas e é ela que compra mídia da Globo.

Aportes já feitos em empresas digitais de diferentes ramos, como Rappi, Enjoei, Órama e Buser, indicam uma aposta na diversidade? Ou o interesse vem da avaliação do potencial de cada uma, especificamente? Apostamos em diferentes modelos e negócios. Queremos investir no potencial dessas empresas, capturando e ampliando as oportunidades geradas pelo ambiente de tecnologia e inovação que é característico delas. Com essas parcerias esperamos fomentar o empreendedorismo no Brasil, ser um player importante para a vitalidade da indústria como um todo e dos segmentos nos quais investimos, para proporcionarmos a prestação de serviços melhores, mais ágeis, mais democráticos, mais eficientes e inclusivos.

De maneira geral, quais são os parâmetros para a escolha das empresas nas quais investir?

 Temos um processo bem definido de avaliação que conta com um comitê de investimentos, com a participação do presidente-executivo do grupo [Jorge Nóbrega], de alguns membros do conselho de administração e independentes. Os principais parâmetros avaliados são potencial de crescimento, alinhamento estratégico, qualidade dos sócios, do modelo e da equipe de gestão.

O modelo “media for equity” foi inspirado na estratégia de organizações de mídia no exterior? Além dessa, há outras formas de fazer a ponte do modelo de negócios tradicional da mídia para outros modelos digitais? 

 

Algumas empresas estrangeiras utilizam o modelo “media for equity” com sucesso há algum tempo. Estudamos várias experiências, de países diferentes, e as adaptamos à realidade da nossa empresa e da economia brasileira.

É importante ressaltar, porém, que “media for equity” é um dos modelos de investimento da Globo Ventures. Existem também investimentos diretos em empresas, venture capital, investimentos em fundos de investimento com foco em inovação e tecnologia. Mas o processo de transformação digital da Globo é mais amplo, está acontecendo em todas as dimensões da empresa. A Globo Ventures é parte desse movimento, podendo contribuir para ele sempre que houver oportunidade.

Empresas chinesas de tecnologia também têm estimulado startups brasileiras. Como o sr. vê a possibilidade de investir em conjunto com gigantes da China e de outros países? Há alguma preocupação de ordem geopolítica? 

O intercâmbio com empresas chinesas, e com empresas de outros países como EUA, Canadá e Israel, é um caminho natural para a criação de oportunidades de parcerias.

Não se trata de questão geopolítica, mas sim da necessidade de trazer conhecimento e tecnologia de países que hoje estão mais avançados na corrida pela inovação. E a China certamente é um dos países com resultados que impressionam e que podem trazer oportunidades de transformação para o nosso mercado.

http://www.folha.uol.com.br

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