CAMBRIDGE INVESTE R$ 1 BI EM AI PARA PREVER MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Centro de pesquisa da universidade faz parte de megaprojeto com financiamento do governo britânico e apoio da iniciativa privada.


A população mundial chegou a 7,63 bilhões de pessoas em 2018 e as projeções do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA) são de que esse número atinja impressionantes 11,2 bilhões em 2100. Ou seja, em um período de aproximadamente 80 anos, a Terra deve ter um aumento populacional de quase metade dos habitantes que o planeta possui hoje. As previsões ainda revelam que o crescimento da população tem sido mais intenso no meio urbano, que deve receber mais 3 bilhões de pessoas até 2050, criando metrópoles cada vez mais densamente povoadas.

Nesse contexto, criar sistemas de análise de dados que possam gerar previsibilidade, com a maior precisão possível, para alterações climáticas e catástrofes ambientais, torna-se uma ferramenta essencial.

Para fazer frente a esse desafio, a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, criou um centro especializado de pesquisa cujo objetivo é desenvolver técnicas de Inteligência Artificial (AI) para compreender com maior profundidade, analisar e prever esses fenômenos. Aos pesquisadores, também caberá elaborar soluções que evitem a degradação do clima, dos ecossistemas do planeta e, sobretudo, da vida humana. A instituição também terá a função de formar profissionais que queiram se especializar na área para que possam atuar no futuro.

O Centro de Treinamento de Doutorado em Aplicação de Inteligência Artificial para o Estudo de Riscos Ambientais (cuja sigla oficial em inglês é AI4ER) faz parte de um projeto, anunciado em fevereiro de 2019 pelo órgão de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI), que conta com o financiamento de 200 milhões de libras esterlinas (R$ 980 milhões) para investimentos em pesquisa de Inteligência Artificial em 16 centros de treinamento de doutorado.

O objetivo da iniciativa é implementar melhorias nos setores de saúde, clima e meio ambiente.

O UKRI declarou que a medida garantirá que o Reino Unido “lidere a revolução global em Inteligência Artificial”. Empresas como Microsoft, DeepMind, Banco Europeu de Desenvolvimento, Amigos da Terra, Agência Espacial Europeia e Agência Ambiental Europeia são parceiras do centro de pesquisa da universidade.

De acordo com o professor chefe do Departamento de Geociências de Cambridge, Simon Redfern, que coordena o centro especializado da universidade, “o conjunto de dados disponíveis (que serão processados com IA) representam uma transformação na maneira de estudar e entender a Terra e o meio ambiente, à medida que avaliamos e encontramos soluções para riscos ambientais”. Redfern ainda acrescentou no anúncio do financiamento que “essa enorme quantidade de dados disponíveis apresenta seus desafios e novos métodos precisam ser desenvolvidos para explorar suas potencialidades e utilizar essas informações para afastar nossa trajetória de catástrofes ambientais.”

Entre os exemplos de pesquisas com utilização de IA que o centro especializado de Cambridge tem envolvimento, está o sistema automatizado que utiliza um programa de computador para analisar milhares de fotos de satélite de alta resolução no Mediterrâneo e identificar grupos de baleias por meio de suas barbatanas. Assim, a análise realizada por software ajuda a identificar a trajetória usualmente percorrida pelas baleias para tentar evitar colisões com navios e verificar qual a situação atual desses animais. A perspectiva para esta linha de pesquisa seria analisar, posteriormente, diversas espécies marinhas via imagens de satélite e softwares automatizados de reconhecimento de imagens, o que significaria um novo marco para pesquisadores de biologia marinha e ecologistas.

Outros projetos relacionados ao uso de AI para identificar e buscar soluções para riscos ambientais e alterações climáticas com participação do AI4ER são a utilização de softwares para leitura e análise de dados de forma a permitir maior compreensão de mudanças na biodiversidade de florestas, além do uso de drones para monitorar vulcões ativos. Também há uma linha de pesquisa que usa os chamados algoritmos de aprendizado automatizado de máquinas capazes de identificar ruídos que precedem terremotos.

Texto: Pedro Araújo

Imagens: NASA

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