BRB planeja se tornar banco de fomento

Andre Coelho/Valor

Costa, do BRB: investigação em contratos suspeitos de irregularidade

O Banco de Brasília (BRB) vai adotar uma série de medidas de governança para resgatar a credibilidade arranhada por ingerências políticas e por irregularidades na administração. Em entrevista ao Valor, o novo presidente da instituição financeira, Paulo Henrique Costa, disse que, em 30 dias, deve aderir às regras do programa de governança das estatais da B3. Também está na reta final a implantação de um programa de integridade ética e de combate à corrupção.

O objetivo é “virar a página” após o BRB ter sido alvo da chamada “Operação Circus Maximus” da Polícia Federal, que investiga um esquema de pagamento de propinas a dirigentes e ex-dirigentes do banco em troca de investimentos em projetos, entre eles, a construção do extinto Trump Hotel, atual LSH Lifestyle. Costa ressaltou que está sendo feita investigação forense e “due diligence” em todos os contratos alvo de irregularidades.

O banco tem um plano ambicioso para se tornar, em quatro anos, o banco de desenvolvimento da região Centro-Oeste. Para isso, Costa quer lançar ainda neste ano uma empresa de seguridade para vender serviços de balcão e um banco digital. Além disso, pretende ampliar a carteira de clientes e acelerar a concessão de crédito.

O executivo ressaltou que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (DEM), deixou claro que queria um banco que desse resultado e que, portanto, não haveria interferência política. Esse foi um dos motivos para Costa deixar a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, responsável por clientes e transformação digital, e aceitar ir para o BRB. “Infelizmente essa influência política no passado provocou situações como a gente viu na operação ‘Circus Maximus’ “, afirmou.

Segundo Costa, nos últimos anos a política do banco foi focada em reduzir o tamanho da instituição financeira. “O que a gente retoma agora é uma visão de crescimento, de fortalecimento do banco, de que seja de fato um protagonista regional”, disse.

O banco pretende expandir sua carteira de crédito. Até setembro do ano passado, a carteira total era de R$ 7,9 bilhões, sendo R$ 7 bilhões de pessoa física e R$ 900 milhões de pessoa jurídica. Em 2015, chegou a R$ 9,5 bilhões. “A expectativa é crescer neste ano 11%. Ou seja, a gente sai de um cenário que teve uma queda de carteira de praticamente 1% no ano de 2018 e olha para frente com uma meta de crescimento de 11% já em 2019.”

Para melhorar o resultado do banco, que no acumulado de janeiro a setembro de 2018 registrou lucro líquido de R$ 188,543 milhões, Costa quer aumentar a quantidade de clientes que hoje é de 770 mil. Desse total, 224 mil são servidores públicos do governo do Distrito Federal. Porém, apenas 180 mil permanecem com os salários no BRB. O banco pretende prestar serviços de cobrança de dívidas das empresas públicas e coordenar processo de venda de algumas companhias.

http://www.valor.com.br

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