Nobel de Economia reconhece a importância da inovação tecnológica e das mudanças climáticas

Dois americanos ganham nesta segunda (8) o Prêmio Nobel de Economia

Dois americanos ganham nesta segunda (8) o Prêmio Nobel de Economia

William D. Nordhaus e Paul M. Romer foram premiados nesta segunda-feira (8) com o Nobel de Economia. De acordo com o anúncio dos organizadores do prêmio, ambos projetaram métodos que abordam algumas das questões mais fundamentais e urgentes do nosso tempo: crescimento sustentável a longo prazo na economia global e o bem-estar da população mundial.

Os economistas compartilharão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, ou US$ 1 milhão (R$ 3,85 milhões).

O Nobel da Economia celebra este ano o 50º aniversário. Criado em 1968 por ocasião do aniversário de 300 anos do Banco da Suécia é o prêmio mais importante para um pesquisador na área de ciências econômicas.

Os dois economistas apareciam há vários anos na lista de possíveis vencedores do Nobel. Os norte-americanos foram pioneiros ao adaptar a teoria econômica para dimensionar melhor as questões ambientais e o progresso tecnológico.

Nordhaus, de 77 anos, fez trabalhos que abordaram métodos para favorecer o crescimento sustentável e a relação entre economia e clima. Já Romer, de 62 anos, fez estudos que mostram como o acúmulo de ideias sustenta o crescimento econômico de longo prazo.

William D. Nordhaus  — Foto: Divulgação/Yale

William D. Nordhaus

 

Nordhaus é professor do Departamento de Economia da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. O economista fez estudos que mostram que o meio mais eficiente para resolver os problemas causados pelas emissões de gases é um imposto global a todos os países.

Paul Romer — Foto: Reprodução/Twitter

Paul Romer

 

Paul M. Romer, ex-economista-chefe do Banco Mundial, foi reconhecido por estudar sobre como as empresas podem produzir inovações.

Nordhaus criou um modelo quantitativo que descreve a interação global entre a economia e o clima. Seu modelo foi disseminado e é usado para examinar as consequências das intervenções de políticas climáticas, por exemplo, os impostos sobre carbono.

“Suas descobertas ampliaram significativamente o âmbito da análise econômica por meio da construção de modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o conhecimento”, disse a academia em um comunicado.

A pesquisa de Romer lançou as bases do que hoje é chamada teoria do crescimento endógeno. A teoria gerou uma grande quantidade de novas pesquisas sobre os regulamentos e políticas que incentivam novas idéias e prosperidade a longo prazo.

A premiação pegou Romer de surpresa. “Recebi duas ligações hoje de manhã, e não respondi nenhuma porque achei que eram telemarketing, então não estava esperando o prêmio”, disse ele, comemorando a chance de expandir sua teoria.

“Acho que… muitas pessoas acreditam que proteger o meio ambiente será tão caro e difícil que querem ignorá-lo…”, disse, em uma entrevista à imprensa por telefone.

“(Mas) com certeza podemos fazer um progresso substancial protegendo o meio ambiente, e fazê-lo sem desistir da chance de sustentar o crescimento.”

Horas antes do anúncio do prêmio, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática das Nações Unidas (IPCC) alertou para o risco de ondas de calor mais frequentes, enchentes e secas em algumas regiões, além da perda de espécies, sem uma mudança radical na maneira como as sociedades operam.

O anúncio do último Prêmio Nobel de 2018 nesta segunda-feira também ocorreu menos de um mês depois do 10º aniversário da quebra do banco de investimento Lehman Brothers. Seu colapso desencadeou uma crise econômica, da qual muitos avaliam que o sistema financeira mundial ainda se recupera.

No ano passado, o prêmio foi atribuído ao americano Richard Thaler por seus estudos sobre a influência de certas características humanas, como a racionalidade limitada, as preferências sociais e a falta de autocontrole, nos comportamentos dos consumidores ou investidores.

Análise de impactos das mudanças climáticas e tecnológicas vence Nobel da Economia

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Biografias

Paul Romer é professor de economia na Stern School of Business da New York University (Escola de Administração Stern da Universidade de Nova York).

Ele é diretor fundador do Projeto de Urbanização na NYU, onde realiza pesquisas aplicadas sobre as maneiras que é possível usar o rápido crescimento das cidades para criar oportunidades econômicas e empreender uma reforma social.

Antes, Romer lecionou na Graduate School of Business da Stanford University, nos departamentos de economia da Universidade da Califórnia, Berkeley, da Universidade de Chicago e da Universidade de Rochester. Ele é pesquisador associado no National Bureau of Economic Research e membro da Academia Americana de Artes e Ciências.

William D. Nordhaus é professor da Universidade de Yale desde 1967, professor titular de economia desde 1973 e também professor na Escola de Silvicultura e Estudos Ambientais de Yale.

O economista é membro da Academia Nacional de Ciências e da Academia Americana de Artes e Ciências, além da equipe de pesquisa do Departamento Nacional de Pesquisa Econômica. O professor Nordhaus é editor de várias revistas científicas. Ele faz parte ainda do Painel de Peritos Econômicos do Escritório de Orçamento do Congresso e foi o primeiro presidente do Comitê Consultivo do Escritório de Análise Econômica.

Em 2004, ele recebeu o prêmio de “Integrante Distinto” da Associação Americana de Economia. Nordhaus é autor de vários livros, entre eles Invention, Growth and Welfare, Is Growth Obsolete? (Invenção, Crescimento e Bem-Estar, Crescimento Obsoleto?), The Efficient Use of Energy Resources (Uso Eficiente de Recursos Energéticos), Reforming Federal Regulation (Reforma da Regulamentação Federal), Managing the Global Commons (Administração de Bens Globais), Warming the World (Aquecimento do Mundo) e, em conjunto com Paul Samuelson, o livro didático Economics (Economia).

Último Nobel

O prêmio de Economia, oficialmente chamado de “Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel”, foi criado em 1968. A homenagem não fazia parte do grupo original de cinco prêmios estabelecidos pelo testamento do industrialista sueco Alfred Nobel, criador da dinamite. Os outros prêmios Nobel (Medicina, Física, Química, Literatura e Paz) foram entregues pela primeira vem em 1901.

O Nobel de Economia é o último concedido este ano. Os prêmios de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz foram concedidos na semana passada.

Últimos ganhadores do Nobel de Economia

2017: Richard Thaler (Estados Unidos), por sua pesquisa sobre as consequências dos mecanismos psicológicos e sociais nas decisões dos consumidores e dos investidores.

2016: Oliver Hart (Reino Unido/Estados Unidos) e Bengt Holmström (Finlândia), por suas contribuições à teoria dos contratos.

2015: Angus Deaton (Reino Unido/Estados Unidos) por seus estudos sobre “o consumo, a pobreza e o bem-estar”.

2014: Jean Tirole (França), por sua “análise do poder do mercado e de sua regulação”.

2013: Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.

2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.

2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por trabalhos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.

2010: Peter Diamond, Dale Mortensen (Estados Unidos) e Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.

2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos), por seus trabalhos separados que mostram que a empresa e as associações de usuários são às vezes mais eficazes que o mercado.

2008: Paul Krugman (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre o comércio internacional.

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