Investidores dizem que o melhor momento para investir no Brasil é agora

As incertezas eleitorais jogam sombras sobre o mercado brasileiro, mas são uma ótima oportunidade para olhar para ativos locais enquanto outros investidores hesitam em se posicionar, afirma Axel Christensen, estrategista-chefe para América Latina e Ibéria da gestora Blackrock.

Mesmo faltando menos de dois meses para o primeiro turno, ainda há pouca clareza sobre quem tem mais chance de ser o próximo presidente. “Os investidores tendem a favorecer previsibilidade em vez de imprevisibilidade. Eles buscam isso, não gostam de surpresa”, afirma.

Ou, como ele resume: a melhor surpresa é a não surpresa.

Na falta dessa certeza, preferem congelar investimentos e decisões sobre onde alocar recursos até terem um cenário mais sólido.

Dito isso, prossegue, “as melhores decisões são tomadas quando você investe quando o restante não está investindo”.

O que torna o atual contexto “um bom momento de olhar para os investimentos no Brasil”, na avaliação do estrategista-chefe para América Latina e Ibéria da Blackrock, que, no mundo, tem US$ 6,3 trilhões de ativos sob gestão.

Enquanto essa certeza não vem, o real tende a permanecer volátil e refletindo as dúvidas em relação ao resultado eleitoral, diz Christensen. “O real pode ficar sensível, mas quando houver um resultado, algumas dessas variáveis tendem a se recuperar. Vimos isso com o peso mexicano”, diz. 

Então, no curto prazo pode haver uma desvalorização da moeda, mas, após as eleições, são grandes as chances de o real devolver parte desse prêmio de risco. “É o incerto se tornando certo”, afirma.

Para ele, os ativos brasileiros estão baratos em dólar, enquanto as perspectivas para a economia e para o ganho das empresas ainda são positivas, o que favorece um fluxo de investimentos para o país. 

As empresas fizeram muitos ajustes para sobreviver à crise. Quando a economia voltar a crescer, vão refletir essa nova perspectiva”, avalia. 

Ele vê oportunidades nos setores de mineração, papel, bens de capital. Por outro lado, há companhias ou segmentos mais sensíveis ao resultado eleitoral, com nível de regulação maior, como financeiro e serviços públicos. “Estamos mais cautelosos com as perspectivas para essas empresas. O mesmo acontece com a renda fixa”, ressalta.

Segundo Christensen, o país ainda oferece taxas de juros atrativas, o que é algo que investidores apreciam, mas a situação fiscal ainda causa preocupação. 

Quem ganhar as eleições deste ano terá que propor ações para enfrentar a situação fiscal. Há oportunidades, mas riscos associados a essas oportunidades que temos que acompanhar de perto.”

Essa situação ganha ainda mais força em meio a um cenário de aumento de juros nos Estados Unidos, como acontece hoje. 

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve elevar as taxas mais duas vezes neste ano. Ou seja, a diferença entre o juro americano e o brasileiro pode diminuir ainda mais, se a taxa Selic for mantida em 6,5% ao ano, atraindo os investidores para os títulos de dívida dos EUA.

“O mercado doméstico americano está mais atraente. Então a disponibilidade de tomar risco em emergentes diminui, por isso a volatilidade nesses mercados”, complementa.


Danielle Brant

NOVA YORK

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