BNDES não tem função de ser sócio eterno, afirma Dyogo

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 10h54) O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo de Oliveira, afirmou que a participação da instituição deve ser temporária nas empresas investidas. “O BNDES não tem função de ser sócio eterno, seu papel é desenvolver as empresas e deixá-las às suas próprias forças”, disse.

Em seminário sobre o mercado de capitais no Tribunal de Contas da União (TCU), Dyogo disse que o país vive um momento de restrição fiscal “nunca antes visto” e que a falta de reformas e da adoção de medidas realmente efetivas para controlar os gastos públicos fará a população sofrer “por um bom tempo com déficits que inviabilizam a participação do governo como promotor de investimento”.

 Ele ressaltou que o BNDES tem atuação ampla no mercado de capitais e que o desenvolvimento desse mercado é uma das missões do banco e um caminho natural para o financiamento de projetos de longo prazo. Nos últimos 15 anos, disse Dyogo, o resultado da carteira do BNDES no mercado foi de 12,6% ao ano, rendimento superior ao CDI e à inflação do período. “Portanto, a gestão da carteira tem sido positiva e trazido bons resultados para o país”, disse.

Exemplificando essa forma de atuação, o presidente citou a venda da participação do banco na Eletropaulo, com valorização de 200%, e de parte da Fibria. “Temos um processo de desinvestimento em curso com venda em empresas maduras”, afirmou, completando que, com essa estratégia, o banco concentra esforço nas empresas nascentes.

Ainda de acordo com Dyogo, é importante que haja compreensão de que esse é um negócio de risco. “Pode ser que empresas apresentem dificuldades. Não se pode olhar para essas operações como se fosse a compra de um produto simples do mercado. O investimento tem componente de risco elevado”, ponderou.

“É importante que haja compreensão desta natureza, o mecanismo de financiamento do mercado, que é diferente do crédito tradicional. O papel do banco é diferente como acionista do que quando credor”, explicou. Segundo Dyogo, não faz sentido fazer conta de trás para frente e dizer que teria sido melhor dar um empréstimo a uma empresa no lugar de ter participação no capital. “São estratégias diferentes. Não há comparação”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente do banco de fomento, é preciso entender que não se dá dinheiro de graça. “A participação no resultado é o dinheiro mais caro, pois o controlador abre mão da melhor rentabilidade que ele poderia ter”, exemplificou.

Para o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, o BNDES “vai ter que assumir mais risco” para ser um promotor dos mercados de crédito e de capitais no país. Segundo ele, o papel da instituição de fomento deve continuar relevante em um cenário de taxas de juros baixas e em que ainda não se conhece o real potencial do mercado brasileiro. “É importante que o BNDES tenha papel essencial nessa nova realidade, de taxas de juros mais baixas. Ele vai ter que assumir mais risco e vai ter que ser um promotor e catalisador do mercado de crédito e de capitais”, disse.

Segundo Colnago, os juros baixos aliados às reformas estruturais podem gerar uma “revolução” no mercado. “Temos inflação e juros baixos e, se reforçarmos medidas necessárias para que continuemos com isso, poderíamos ter uma grande revolução no mercado de crédito e de capitais. Nosso mercado nunca conviveu com isso por longo tempo ou de forma estrutural. Então, não sabemos qual o potencial do nosso mercado de crédito e capitais”, disse.

Colnago defendeu que o país tem “solvência de médio e longo prazo” baseada na emenda constitucional do teto de gastos “e na certeza que reformas necessárias para solidez das contas públicas serão adotadas em breve”. “É de suma importância reforçarmos esse caminho de produção de ambiente mais propício a empreendedorismo e crescimento sustentável”, disse.

E ressaltou que já houve avanços nos números recentemente, quando foram buscadas medidas de melhora do ambiente econômico. O ministro afirmou que dados do mercado de capitais de 2017 mostram que o volume de emissões foi de R$ 210 bilhões, ou 3,2% do PIB. Segundo ele, a última vez que isso foi alcançado foi em 2012 – com 3,37%.

De acordo com Colnago, a infraestrutura — que, diz, em geral é associada a projetos de maior porte e de longa maturação e, portanto, relacionada ao futuro da economia — viu em 2017 uma captação de debêntures de R$ 9 bilhões. Segundo ele, só até abril de 2018 foram mais R$ 6 bilhões. “Ou seja, dos R$ 35 bilhões captados em debêntures de infraestrutura de 2012 a abril de 2018, 40% foram captados nos últimos 16 meses”, disse.

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, ressaltou a importância do mercado do mercado de capitais para o desenvolvimento do país e o papel do BNDES por meio da BNDES-Par de fomentar esse mercado. Falou também sobre a operações de fiscalização e controle do TCU no mercado de capitais, especialmente nas operações do BNDESPar com grandes empresas.

Por Eduardo Campos e Fábio Pupo | Valor
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