Casal brasileiro cria negócio para ensinar funcionários públicos a inovar

A WeGov levou o design thinking e a gestão de redes sociais para o setor público. Em 2018, a expectativa é faturar R$1,4 milhão

Lançamento Programa Hub Gov 2018 - André e Gabriela Tamura, criadores da WeGov (Foto: Divulgação)
ANDRÉ E GABRIELA TAMURA, CRIADORES DA WEGOV. ELES COMEÇARAM A EMPRESA AO VENDER UM CARRO, FATURARAM R$ 500 MIL E QUASE FALIRAM. NESTE ANO, A EXPECTATIVA DA EMPRESA É CHEGAR A R$ 1,4 MILHÃO 

“Hoje todo está mundo no Facebook, WhatsApp e Instagram. Por que as empresas conseguem transformar essa tecnologia em bons serviços e as instituições públicas não?”. O questionamento é do empreendedor brasileiro André Tamura, que fundou ao lado de sua esposa, Gabriela, um negócio para fomentar a inovação no setor público.

Sediada em Florianópolis, a startup WeGov nasceu em 2015. Com workshops de design thinking, oficinas de redes sociais e consultorias, ela já “treinou” 5 mil servidores públicos de 700 instituições. Entre seus clientes, estão tribunais regionais eleitorais e do trabalho, Correios, Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e até a Secretaria da Presidência da República.

Segundo Gabriela, o foco da WeGov não é ensinar a fazer o post perfeito ou criar um meme, mas apresentar casos e reflexões que inspirem “funcionários a se tornarem inovadores”. É falar, por exemplo, de design thinking, engajamento por WhatsApp ou storytelling — com cases, inclusive, do setor privado. “O setor público não tem de vender produto que nem o Ponto Frio faz, mas por que não se inspirar no design do anúncio dele ou na forma como ele se comunica no Facebook?”, diz Tamura.

O casal já chegou a faturar R$ 500 mil por ano, e precisou aprendeu a lidar com a morosidade da máquina pública para vender (e receber). Quase faliu em 2016 com a crise econômica. No fim, conseguiu um aporte da Softplan quando estava prestes a fechar as portas. Deu a volta por cima, voltou a crescer e a despertar interesse — neste ano, promoveu uma oficina de redes sociais no Ministério da Fazenda. Em 2018, a expectativa da empresa de 12 funcionários é faturar R$ 1,4 milhão.

Grande parte dessa receita vem do HubGov, uma espécie de incubadora criada pela WeGov em 2017, para acelerar soluções criadas pelas instituições públicas. Elas pagam uma inscrição de R$ 16 mil para participarem. Cada uma, representada por até quatro servidores, apresenta uma ideia e, durante um programa de treinamento de até 300 horas, busca desenvolvê-la.

Neste ano, foram 28 instituições participantes em quatro estados brasileiros. O case vencedor veio dos policiais militares de Santa Catarina, que montaram uma rede de divulgação por Whatsapp, para divulgar a importância do cadastro biométrico dos eleitores do estado. Com isso, eles conseguiram bater a meta de cadastro do estado.

As iniciativas desenvolvidas pelas instituições que trabalham com a WeGov são aparentemente simples. Não exigem grandes investimentos ou ações mirabolantes. A ideia da startup, aliás, não é a de romper estruturas ou resolver problemas internos da máquina pública. “Percebemos que inovar no setor público é mais estimular um novo modelo mental nos servidores do que mudar alguma grande estrutura. É usar, por exemplo, design thinking para fazê-los pensar diferente”, diz Gabriela.

E, assim, dar origem a casos como o da Justina, personagem criada pelo Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Em vídeos divertidos e com linguagem simples, ela explica os meandros da legislação trabalhista brasileira no Facebook. “Nosso objetivo é iluminar boas ideias que às vezes as instituições já têm, mas muitas vezes estão mortas em uma gaveta”, diz Tamura.

HubGov - WeGov - inovação  no setor público - workshop - Florianópolis (Foto: Divulgação )

Nos primeiros eventos da WeGov, realizados como testes desde 2012, a empresa chamou atenção justamente por mostrar às instituições como as marcas estavam começando a aproveitar a internet para ganhar visibilidade. Naquele momento, segundo a WeGov, o governo ainda se perguntava se era mesmo preciso estar nas redes sociais.

Em 2015, viria o case da Prefeitura de Curitiba que arrebatou milhões de seguidores no Facebook por comunicar problemas e causos da cidade de uma forma leve e divertida. “A Prefeitura de Curitiba foi um divisor de águas quando falamos de uso das redes sociais pelas instituições públicas”, afirma Tamura. O caso premiado, criado por Marcos Giovanella, Marcel Bely e Taís Russo, ajudou indiretamente a WeGov a continuar crescendo e vendendo seus workshops.

Com o tempo, a discussão entre os servidores públicos evoluiu, para como criar uma comunicação eficiente e marcante, capaz de aumentar o engajamento do cidadão com a instituição. “Todo mundo quer, no fundo, ser engraçado e usar memes. Mas mostramos que não é algo que funciona em todos os casos. O que de fato funciona é quebrar o “juridiquês” que impera nas várias esferas públicas”, diz Tamura. Na prática, é não publicar na rede social com a linguagem do Diário Oficial e desenvolver uma linguagem “mais pessoa física” e menos “pessoa jurídica”.

Outro conselho da WeGov para as instituições públicas é não tratar os cidadãos como “meros clientes”. Principalmente porque não é possível estabelecer essa relação — tal como no setor privado.

“Se você fala que o cidadão é um cliente, no final do dia, se ele não estiver satisfeito com o serviço, ele não tem outro setor público para escolher. O setor público é um só”, diz Tamura. É por esta razão, defende a WeGov, que criar uma comunicação clara pode ser tão inovador para uma instituição pública quanto agregar uma nova tecnologia.

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