Indústria 4.0 no setor têxtil e de confecção está a um passo de sair do papel

MBI Indústria Avançada

Agora é para valer! Os primeiros projetos para a implantação da Indústria 4.0 no setor têxtil e de confecção brasileiro já estão em planejamento. CEOs, executivos e representantes do BNDES, da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), de unidades do SENAI, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção e do Sindicato do Vestuário estiveram reunidos, no Rio de Janeiro, para o primeiro encontro da especialização Master In Business Innovation (MBI) em Indústria Avançada: Confecção 4.0, oferecido pelo SENAI CETIQT.

“O sonho está se materializando com esse tiro de largada. O MBI proporciona um contato real com o que podemos trazer da teoria para a realidade. Começamos hoje a dar corpo a uma comunidade que pode construir na prática a fábrica do futuro. É preciso unir várias competências; por isso estamos aqui. Temos rodado continentes e estamos muito satisfeitos em constatar que caminhamos lado a lado com o que há de melhor no mundo em termos de Indústria 4.0. A implementação no setor têxtil brasileiro começou”, disse Fernando Pimentel, presidente da ABIT, na abertura do evento, ocorrido em um hotel da orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Já neste primeiro encontro se percebeu a pujança da iniciativa, com as diversas mesas redondas que se formaram com os representantes de 30 empresas de grande, médio e pequeno porte – Vicunha, Cataguases, Demillus, Karsten, Malwee, Coteminas, Guararapes, Renner, Grupo Soma, JGB, Altenburg, Lucitex, Sol da Terra e DellRio, entre outras; além de 15 representantes de instituições como SENAIs, ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções) e Federação das Indústrias do Paraná. Todos foram instigados a falar das dificuldades e desafios que enfrentam e a trocar ideias entre si, já pensando na elaboração de projetos baseados nos parâmetros da Indústria 4.0.

Mas, para concretizar projetos, é preciso investimento e apoio financeiro. Por isso a importância da presença do Superintendente do BNDES, Cláudio Figueiredo Coelho Leal, que esclareceu aos participantes como o Banco pode financiar esses projetos.

“Aqui neste MBI estamos falando de projetos com características e risco tecnológico muito maiores do que os de um projeto convencional; por isso eles vão receber tratamento diferenciado e prioritário do BNDES. A inovação e o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas são, explicitamente, as duas prioridades do BNDES. O apoio do banco a esse conjunto de empresas propõe condições de financiamento mais vantajosas no que diz respeito a custo, prazo e uma composição de garantias mais adequadas às características, ao porte e aos projeto dessas empresas”, pontuou.

Em relação às taxas de juros, Claudio afirmou ficar em torno de 11 a 12%, mas com três características importantes: “prazos de financiamentos mais longos, pouco comuns no mercado, uma vez que um projeto de inovação, por ser arriscado, precisa de mais tempo para se mostrar viável e, portanto, de mais tempo para ser amortizado; a segunda são níveis de participação mais altos. Para micros, pequenas e médias empresas, é possível o banco financiar até 100% do projeto, lembrando que é muito raro um banco financiar mais de 40, 50% de um projeto. E a terceira diferença, em relação a projetos tradicionais, é a possibilidade de a empresa, dadas as características, ter um tratamento mais adequado do ponto de vista das garantias. Falando claramente, há possibilidade de haver dispensa de garantias reais, sob condições”, explicou Leal.

Na ocasião, a GS1 Brasil (Associação Brasileira de Automação), que também atua em parceria com o CETIQT, apresentou aos alunos-executivos a proposta de participação em uma missão técnica à Universidade de Aachen, na Alemanha. “Escolhemos a Alemanha porque este país é o berço da tecnologia 4.0. Lá temos uma gama de atividades voltadas à Indústria 4.0. Visitaremos um instituto voltado especificamente para a área têxtil, com todas as tecnologias e inovações já criadas e em implantação. Temos certeza de que para os participantes deste MBI, voltado para a tecnologia, conhecer o berço da Indústria 4.0 é um casamento perfeito”, comentou Renata Salvi, representante da GS1 Brasil.

“Este MBI está organizado para definir estratégias para fortalecer o setor e torná-lo protagonista na implantação do modelo 4.0 no Brasil. Da mesma forma que a indústria têxtil foi protagonista da 1ª Revolução Industrial, queremos ser também desta 4ª. Para fazer isso temos que nos organizar, reunir as grandes empresas e os grandes financiadores do país a fim de que possamos definir os próximos passos. Este é o pontapé inicial da 4ª Revolução Industrial no setor têxtil e de confecção”, comentou Robson Marcus Wanka, gerente de educação do SENAI CETIQT.

O MBI em Indústria Avançada: Confecção 4.0 seguirá por cinco eixos temáticos: Estratégias de Inovação e Posicionamento de Negócio; Materiais e Produtos; Processo Produtivo; Confecção 4.0 e Projeto e Análise de Viabilidade. E, para que a imersão nesses temas viabilize a modernização do parque fabril brasileiro, os participantes terão a orientação de grandes especialistas do Brasil e do exterior. E o que é inovador: de forma totalmente colaborativa, com todos os participantes compartilhando conhecimentos, trocando ideias e informações.

“É um curso pioneiro e nossa expectativa é muito positiva no sentido de alavancarmos todas as nossas ações de tecnologia da área de TI e de negócios. Queremos nos aperfeiçoar e evoluir para conseguirmos suportar todo esse caminho que temos a percorrer, nos mantendo sempre na vanguarda”, afirmou Clodoaldo Delgado de Freitas, gerente de TI da Guararapes Confecções, de Natal (RN).

Ao longo de toda a especialização, os alunos-executivos contarão com aulas, palestras, videoaulas e dinâmicas colaborativas com vários especialistas, profissionais conceituados em suas áreas de atuação, que compartilharão conteúdo e darão dicas e orientações para que os participantes incluam cada vez mais soluções tecnológicas em seus processos e possam aos poucos implantar em suas fábricas o modelo 4.0.

“Temos um processo todo vertical, desde a fiação até a confecção, e é na confecção onde temos a maioria dos processos manuais. Minha expectativa é conhecer aqui oportunidades de automatizar alguns processos, se modernizar, mas sem virar escravo da robotização”, disse Franciele Furlan, Coordenadora de Engenharia de Produto e Processo na Karsten, de Blumenau (SC).

Meire Bueno, diretora industrial da DellRio, de Fortaleza, enfatiza também a necessidade da área de confecção agregar maior tecnologia. “Na área têxtil, a automação está mais avançada, com módulos de gestão para acompanhar a eficiência, produtividade, níveis de qualidade, de ocupação de máquina. Já na área de confecção, esse processo está mais atrasado. Então vemos aqui neste MBI uma oportunidade de tornar realidade a Indústria 4.0 em nossa empresa, de crescer nessa área e fazer frente à Ásia, que é o nosso principal concorrente hoje”, lembra a executiva.

Angela Hirata, CEO da Japan House e ex-diretora de marketing da Havaianas – responsável por reposicionar a marca no Brasil e em mais de 50 países – falou sobre branding, inovação, novos conceitos e sustentabilidade das marcas. Para ela, não importa o tamanho da empresa, mas o que ela quer ser e fazer. “Inovação não é pensar somente no produto, mas na forma de comunicar. Buscar e criar um diferencial e transmitir isso. Copiar não é inovar. E com o diferencial bem definido, se ganha segurança e a partir daí é caminhar para transformar seu produto em branding”, declarou.

No segundo dia do MBI, os CEOs, diretores, superintendentes, consultores e gerentes das empresas, além de representantes do Sindvest, da ABIT, do SENAI Departamento Nacional, SENAI- SP, SENAI-SC e SENAI CETIQT visitaram a planta piloto da Confecção 4.0, na unidade Riachuelo do SENAI CETIQT. Todos ficaram entusiasmados ao verem de perto as várias etapas do processo automatizado. Na minifábrica 4.0, o sistema começa a funcionar a partir de um Espelho Virtual, no qual o cliente se posiciona para tirar suas medidas e escolher a peça que será fabricada. Em vinte minutos, a roupa está pronta e embalada. A visita às instalações do CETIQT contou também com uma presença ilustre. Bernardinho, que comandou a s e l e ç ã o brasileira de vôlei por mais de quinze anos, chegou de surpresa e falou sobre empenho e superação, assunto importante que permeia toda a proposta do MBI.

“Em muitas indústrias do Paraná – e acredito que em todo o país – temos muitas micro e pequenas empresas que acabam se formando de um modo informal, com métodos e processos antigos e caseiros. Vejo nesse MBI uma oportunidade de levar para essas empresas conhecimento em automação e mais tecnologia a fim de que consigam produzir melhor, com mais qualidade, aumentando sua competitividade. Seria uma forma delas serem automatizadas, sem precisar gastar tempo e dinheiro com processos demorados e retrabalho”, comentou Luciana Bechara, proprietária da Belittle Confecção Infantil e Diretora da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP).

“A indústria já está em um processo de pequenas automações, mas agora aprenderemos de fato a utilizar todas essas tecnologias para tornar o processo fabril mais confiável, com menos perdas e melhor garantia de qualidade. Como trabalhar essas informações, como implementar tudo isso, sem se atropelar, de forma a criar dentro de cada empresa uma coisa consolidada, aos moldes do modelo 4.0, é a minha grande expectativa!”, concluiu Thais Bryan, da Vicunha Têxtil, que tem várias unidades no Brasil e exterior.

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