Anjos demais são um inferno, diz a venture builder Laura

A venture builder comemora o surgimento de fundos de investimento anjo capazes de substituir grandes grupos de pessoas físicas: “É difícil negociar com muita gente”

Laura Mello, cofundadora da Astella (Foto: Divulgação)

A ideia de criar um fundo de investimentos veio da vontade (e da necessidade) de mudar de área. No fim de 2007, Laura Mello e Edson Rigonatti trabalhavam em uma consultoria de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) especializada em telecomunicações, internet, mídia e tecnologia. “Os acordos maiores, que pagavam as contas, eram de telecomunicações”, diz Laura. “O setor estava consolidado, as operações de M&A começaram a ficar escassas. A gente começou a pensar no que fazer depois”.

O momento coincidiu com o surgimento de várias empresas de tecnologia no Brasil. Laura e Edson conheciam o setor e passaram a receber pedidos de orientação para M&A. “Encontramos nosso trabalho favorito: arrumar a governança, entender a valuation, criar um modelo, entender como a empresa precisava se organizar para a transação”, diz Laura. Criaram o fundo de investimentos Astella.

A Astella fez a primeira rodada de investimentos em 2009, com 11 startups. Quatro delas saíram seis anos depois, com um retorno de 31% ao ano. Hoje o fundo está em sua terceira rodada de investimentos. Olha especialmente para empresas em estágio de investimento semente — com produto e vendas estruturados, e faturamento mensal em torno de R$ 150 mil. Laura diz o que aprendeu em nove anos como semeadora de negócios.

Como a Astella ajuda startups que recebem investimentos?
Nós enxergamos cada empresa como um conjunto de cinco “máquinas” interdependentes: vendas, governança, talentos, satisfação do cliente e produto. Estabelecemos padrões de desempenho de cada máquina, conforme fase da empresa. E foi essa a história do fundo Journey 1. Em 2009, investimos em 11 empresas. Conseguimos sair após seis anos. A primeira saída foi no quarto ano e as outras, entre 2014 e 2015.

Qual a importância dessas saídas?
Conseguimos um retorno de 31% ao ano, numa época em que se questionava a capacidade do mercado brasileiro de propiciar saídas. A partir dessa saída com retorno, a gente iniciou o Journey 2, com recursos de terceiros — até então, só usávamos recursos próprios.

Na segunda rodada, vocês buscaram empresas de que porte?
No Journey 1, não tínhamos muito foco. Investíamos em tudo. Do Journey 2 para frente, e principalmente no Journey 3, nos dedicamos a rodadas seed [semente], de empresas com faturamento médio mensal de R$ 150 mil.

Quais são os desafios das empresas em fase semente?
A gente espera alguma previsibilidade entre um investimento em vendas e em marketing, e o retorno em clientes e receita. O grande desafio dessa empresa dali para frente é refinar a máquina de vendas. Esperamos um crescimento bastante acelerado, algo como triplicar de tamanho a cada ano e meio. É um desafio enorme.

As empresas de tecnologia enfrentam desafios específicos?
Sim. Atender ao monte de clientes atraídos pela ideia inicial. Todas as empresas atraem early adopters, clientes que gostam de novidade e têm familiaridade com tecnologia. Com o crescimento, a empresa passa a atrair clientes menos familiarizados, que demandam mais suporte. Num mercado de serviços cobrados mensalmente, a cada mês o cliente reavalia se de fato está valendo a pena.

O que mudou desde a fundação da Astella?
A gente viu um ecossistema em formação. Vários empreendedores que não foram bem sucedidos voltaram a empreender, mais experientes. Os modelos de negócio ficaram mais sofisticados. O mercado mostrou que existe liquidez não só na saída, mas também entre as rodadas. Há fundos maiores interessados em levar recursos às empresas em rodadas primárias e, eventualmente, aumentar sua participação através de uma rodada secundária, comprando participação dos anjos ou dos fundos das rodadas anteriores.

Como o ecossistema das startups pode crescer?
Estão surgindo fundos pré-seed. Antes, a rodada de investimento-anjo era feita principalmente por pessoas físicas — às vezes, pessoas demais. É um trabalho hercúleo negociar regras com um monte de gente. Ainda faltam fundos de venture capital dedicados às rodadas C, D e E — as rodadas pré-IPO. Falta o fundo de late stage.

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