Sensor colado no dente monitora tudo o que você come ou bebe

Sensor colado no dente monitora tudo o que você come ou bebe

O sensor de 2 milímetros quadrados não deixa que você engula nada sem registro. [Imagem: Fio Omenetto/Tufts University]

Sensores miniaturizados, montados diretamente nos seus dentes e se comunicando sem fios com um dispositivo móvel, poderão transmitir informações sobre tudo o que você come ou bebe – toda a sua ingestão de glicose, sal ou álcool, por exemplo.

Peter Tseng e seus colegas da Universidade Tufts, nos EUA, afirmam que futuras adaptações permitirão que esses sensoresdetectem e registrem uma ampla gama de nutrientes, substâncias químicas e até estados fisiológicos.

Talvez isso permita que as redes sociais e sites de busca lhe ofereçam na hora produtos que possam combinar com o que você está bebendo ou comendo – ou dicas de dieta -, mas a equipe prefere pensar no contexto de cuidados da saúde ou estudos clínicos, que permitirão monitorar a ingestão real de nutrientes ou substâncias e drogas sem depender da observação pessoal dos participantes.

Dispositivos usados hoje para monitorar a ingestão alimentar têm várias limitações, como exigir o uso de protetores bucais e precisarem ser substituídos frequentemente, já que os sensores se degradam rapidamente.

Sensor RFID

O sensor mede 2 mm x 2 mm e foi projetado com uma flexibilidade que permite que ele grude na superfície irregular de um dente.

O protótipo é composto por três camadas intercaladas: uma camada central “biorresponsiva”, que absorve o nutriente ou substância química a ser detectada, e camadas externas, nas quais estão dois anéis de ouro em forma de quadrado. Esses quadrados são na verdade antenas RFID, similares às que são usadas para identificação de produtos nas lojas de departamento – o ouro foi escolhido pela sua biocompatibilidade, já que seria problemático colocar os metais das antenas RFID comuns na boca.

A antena coleta e transmite ondas no espectro de radiofrequência. Quando uma onda externa atinge o sensor, parte dela é cancelada e o restante transmitido de volta, exatamente como uma tinta azul absorve os comprimentos de onda mais vermelhos e reflete o azul de volta aos nossos olhos.

O sensor, no entanto, pode mudar sua “cor” – nesse caso trata-se de uma frequência de rádio e não de ondas visíveis. Por exemplo, se a camada central entrar em contato com sal – ou etanol ou outra substância – suas propriedades elétricas se alteram, fazendo com que o sensor absorva e transmita um espectro de radiofrequência diferente, variável de acordo com a substância. É assim que os nutrientes e outros analitos podem ser detectados e medidos.

“Em teoria, podemos modificar a camada biorresponsiva nesses sensores para focar outras substâncias químicas – estamos na verdade limitados apenas pela nossa criatividade,” disse o professor Fiorenzo Omenetto. “Nós ampliamos a tecnologia comum RFID [identificação por radiofrequência] para um sensor que pode ler e transmitir dinamicamente informações sobre seu ambiente, seja fixado a um dente, à pele ou a qualquer outra superfície.”

Bibliografia:

Functional, RF-trilayer sensors for tooth-mounted, wireless monitoring of the oral cavity and food consumption
Peter Tseng, Bradley Napier, David Kaplan, Logan Garbarini, Fiorenzo Omenetto
Advanced Materials
DOI: 10.1002/adma.2017032

Redação do Site Inovação Tecnológica –  05/04/2018

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