Maior dificuldade é captação inicial de recursos

Por Jacilio Saraiva | De São Paulo

O setor de agritechs no Brasil deve continuar em alta graças a uma dobradinha que impulsiona novos projetos: os produtores rurais, que buscam sempre melhorias de produtividade, e os grandes atores do agronegócio e do empreendedorismo, que apoiam companhias emergentes. Mas os pequenos empresários terão de driblar obstáculos para deslanchar negócios, como a barreira dos primeiros contratos e a difícil conquista da confiança dos fazendeiros, conhecidos por decisões de compra mais complexas e demoradas.

No ano passado, a Endeavor, organização de apoio ao empreendedorismo, criou o Scale-Up Agrotech, em parceria com a Yara, multinacional norueguesa de fertilizantes. A primeira seleção da iniciativa, que oferece mentorias para empresários, destacou 12 negócios que têm, em média, 33 funcionários e apresentaram crescimento de 30%, entre 2016 e 2017. Desse grupo, 40% já receberam investimentos externos.

“O que tira o sono dos gestores são as ‘dores’ do crescimento das companhias, como problemas de administração e a definição dos planos para o futuro”, explica Luis Felipe Franco, gerente de aceleração de empresas da Endeavor. O ecossistema das agritechs é um dos mais jovens entre as startups brasileiras, se comparado às fintechs (startups financeiras) e operações de e-commerce, diz Franco.

De acordo com o 1º Censo AgTech Startups Brasil, feito pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e a venture builder AgTech Garage, 30% das 75 empresas ouvidas foram fundadas a partir de 2015, antes 8% do total, em 2013. A pesquisa mostra ainda que os principais problemas dos empresários iniciantes são obter capital para investir no negócio (66%) e conquistar os primeiros contratos (49%).

“Há muito de relacionamento nesse mercado”, diz Franco. A maioria das empresas vende para o produtor rural, de perfil tradicional e espalhado pelo Brasil; e para a agroindústria, cujas compras de novas tecnologias são mais complexas, por se tratarem de grandes companhias.

Hiran Zani, gerente de inovação em digital farming da Bayer, diz que há interesse do agronegócio por soluções que simplifiquem o monitoramento das lavouras, com a prevenção de pragas e doenças. “Uma das tendências é saber identificar precocemente problemas que possam afetar o rendimento.”

Para conquistar clientes, a orientação do executivo é que as empresas gerem valor dentro do ciclo das safras. “É fundamental que o produtor consiga mensurar o benefício das soluções das startups com números de produtividade ou de redução de custos”, diz.

A Bayer apoia a Startups Connected, iniciativa criada em 2016 que centraliza ações da Câmara Brasil-Alemanha direcionadas ao desenvolvimento de novos negócios. No ano passado, o programa recebeu mais de 40 empresas interessadas em apresentar soluções de agricultura digital. “Em 2018, devemos manter esse tema”, diz Zani. As inscrições para a nova edição começam em julho.

No ano passado, uma das concorrentes, a IAgro, de Campinas (SP), criou um método automático para o monitoramento de pragas e chamou a atenção da Bayer. A expectativa da multinacional alemã é que a novidade se torne, em breve, um componente dos programas de monitoramento de culturas agrícolas. A fabricante deve investir EUR 200 milhões em agricultura digital até 2020 e pretende buscar nas startups novas maneiras de experimentar, rapidamente, alternativas para a proteção de cultivos.

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