Distrito de inovação em SP será berço de talentos e revoluções tecnológicas

Setor públicos, empresas e academia estão animados com possibilidades do Centro Internacional de Tecnologia e Inovação, que será instalado no local que hoje é o Ceagesp, em São Paulo

Até 2020, a expectativa é de que o Ceagesp, na Zona Oeste de São Paulo, dê lugar ao Centro Internacional de Tecnologia e Inovação (Citi), que promete ser o distrito de inovação da capital paulista. Serão mais de 750 mil metros quadrados de espaço que deverá reunir mais de 600 startups e empresas, gerar 20 mil empregos e movimentar R$ 7 bilhões em atividade econômica até 2030, segundo estimativas do Boston Consulting Group (BCG).

“O Citi poder ser o berço de talentos do País”, apostou Aline Cardoso, secretária Municipal de Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo. Isso porque, lembrou ela, até 2020, segundo estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brascom), haverá uma escassez de 750 mil talentos em solo nacional.

“Precisamos, enquanto poder público, estimular essa capacitação. Se essa escassez se faz presente, imagina no desenvolvimento de novas profissões. Cerca de 65% das crianças nas escolas hoje vão trabalhar em profissões que não existem. Como estamos nos preparando a chegada desse futuro?”, questionou, promovendo uma reflexão sobre a temática.

Falando durante seminário realizado na Prefeitura de São Paulo para abordar o tema, Aline apontou que além do pilar de desenvolvimento de talentos, o Citi deverá mirar, ainda, o desenvolvimento econômico sustentável da cidade.

Fatores de sucesso

Na visão de Heloisa Proença, secretária Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo, além de integrar a academia e a iniciativa pública à discussão de formação do Citi, um fator-chave para o sucesso do projeto como polo de inovação é incluir as startups.

Juliano Seabra, ex-diretor-geral da Endeavor, acredita, por sua vez, que é não se pode transformar o projeto em um ‘real state’. “Queremos construir um cluster de inovação e não podemos esquecer de envolver toda a cadeia. Se não povoarmos o local e garantirmos possibilidades de interação entre atores, não construiremos um distrito de inovação. Será apenas uma casca”, ressaltou.

Para Eduardo Krieger, vice-presidente da Fapesp, embora o País tenha avançado na criação do conhecimento – nos anos 80, o Brasil tinha 3 mil trabalhos científicos publicados por ano e formava 500 doutores. Agora, são 60 mil trabalhos e 20 mil doutores graduados anualmente –, a inovação evoluiu mais lentamente. “Há um campo enorme para ser explorado e a criação do Citi é uma das iniciativas mais favoráveis para nós. É um projeto que vai requerer tempo e ousadia, mas talvez seja um dos projetos de que o Brasil e São Paulo mais precisem”, comentou.

Um gap cultural. Essa é a visão de Cláudio Terra, diretor de Inovação do Hospital Israelita Albert Einstein, para esse descompasso. “Temos muitos PhDs no Brasil, mas a missão deles não é inovar. Por isso, o Citi precisa atrair pesquisadores e os melhores talentos para levar inovação da teoria à prática.”

Tecnologia como meio

Participante do seminário, Paula Bellizia, presidente da Microsoft Brasil, assinalou que o Citi está alinhado à visão da gigante de que a tecnologia não é fim, e, sim, meio. “Vivemos um cenário de paradigma que todas as empresas serão de tecnologia. Algumas já sabem, outras não. O Citi é uma oportunidade de salto, transformando a cidade em uma das mais inovadoras do mundo.”

Paula acredita que o Citi pode ter papel crucial na solução dos grandes problemas da metrópole, como trânsito, saúde e segurança. Nesse cenário, os dados serão fundamentais, apontou ela. “Os empreendedores precisam refletir sobre isso. É preciso falar de open data, sobre quais dados poderão ser abertos para gerar soluções para os desafios atuais e futuros”, comentou.

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