Grupo Eternit não se antecipa à crise anunciada

Fabricante de materiais de construção também justificou no pedido que a deterioração da economia afetou negócio.

Eternit (Foto: Divulgação)Eternit (Foto: Divulgação)

A empresa produtora de material para construção Eternit e suas controladas entraram com pedido recuperação judicial em uma comarca da capital de São Paulo, em uma tentativa para preservar a continuidade de suas atividades em meio a restrições à produção de amianto, disse o grupo em fato relevante divulgado nesta terça-feira (20).

A empresa disse que as discussões legais sobre a extração, industrialização e utilização de amianto vêm impactando as operações do grupo, além de limitar o acesso da companhia a novas linhas de crédito.

Amianto

O Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu no fim de novembro a extração, industrialização e comercialização do amianto variedade crisotila, produto largamente utilizado no país na fabricação de telhas e caixas d’água.

A empresa também citou a persistente deterioracão dos fundamentos da economia que afetaram “drasticamente os setores de construção civil e louças sanitárias, justamente os mercados atendidos pelo Grupo Eternit “.

Segundo o último balanço divulgado pela empresa encerrou o 3º trimestre de 2017 com uma dívida bruta de R$ 100 milhões e prejuízo de R$ 46,6 milhões no acumulado de janeiro a setembro do ano passado.

Presente no Brasil desde 1940, a Eternit se anuncia como líder de mercado no segmento de coberturas, e nos últimos anos buscava diversificar suas fontes de renda, com atuação nos segmentos de louças, metais sanitários e soluções construtivas. Em 2010, a companhia adquiriu a Tégula, com atuação no segmento de coberturas de concreto.

Grupo Eternit

A Eternit anunciou no final do ano passado que deixará de utilizar amianto crisotila na fabricação de telhas de fibrocimento a partir de dezembro de 2018. Já a mineradora Sama, controlada pela Eternit, disse na ocasião que manterá a produção de fibras de amianto crisotila, que será gradualmente direcionada para o mercado externo.

Atualmente, as fábricas localizadas nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Colombo (PR), Simões Filho (BA), Goiânia e Anápolis (GO), utilizam em média 60% de fibra sintética de polipropileno e 40% de fibra mineral de amianto crisotila na fabricação de telhas.

Segundo o site da empresa, o grupo Eternit conta hoje com cerca de 1.700 colaboradores diretos, 8 fábricas próprias, 1 mineradora e 5 filiais de vendas.

A Eternit é uma companhia de capital aberto com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O capital da empresa é pulverizado, com fatia de 83% nas mães de acionistas pessoas físicas. Os maiores acionistas são: Luiz Barsi Filho (14,58%), Victor Adler e controladas (12,57%) e fundo de investimento Geração L.Par (6,62%).

As aços da Eternit ficaram suspensas do início do pregão até as 11h, mas foram retomadas. Segundo a B3, “até o momento, não há previsão de nova suspensão”.

Segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica, a Eternit encerrou o pregão da véspera avaliada em R$ 177,15 milhões em valor de mercado. No final de 2010, a companhia chegou a R$ 1,07 bilhão em valor de mercado.

* Com Reuters

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