AÇO: “Não há vencedores em uma guerra comercial” , diz OMC.

O diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, durante entrevista no Palácio do Planalto (Foto: Guilherme Mazui/G1)

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, se reuniu nesta segunda-feira (12) com o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto, em Brasília.

No encontro, eles discutiram a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de criar novas taxas para a importação de aço e de alumínio. Segundo Trump, o país cobrará 25% a mais para o aço importado e 10% a mais para o alumínio. A medida vale a partir de 23 de março.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA, e a decisão de Trump afetará um terço das exportações brasileiras do produto.

“Foi uma conversa em que exploramos várias alternativas, mas que percebi que o governo brasileiro está perfeitamente atento a todos esses desdobramentos, está aberto ao diálogo para uma tentativa de entendimento com os norte-americanos”, afirmou Azevêdo ao deixar a reunião com Temer.

Em outro trecho de sua fala, o diretor-geral da OMC acrescentou: “Essa escalada, eu tenho falado do efeito dominó, essa escalada ela é difícil de reverter. Uma vez que você entra por esse caminho de retaliações recíprocas, você sabe quando você começa, você sabe como começa, mas não sabe nem como nem quando você consegue cessar esse processo.”

Após o anúncio de Trump, o Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que entrará com recursos nos Estados Unidos contra a sobretaxa. De acordo com a pasta, nos recursos, o Brasil pedirá para ser incluído na lista de exceções, assim como México e Canadá.

‘Quiprocó’

Em outro trecho da entrevista, Roberto Azevêdo afirmou que o governo dos EUA tem conversado com parceiros comerciais para determinar a extensão da medida, definindo os países que serão submetidos à sobretaxa.

Segundo o diretor-geral da OMC, o momento ainda é de negociações e, por isso, é preciso evitar o “quiprocó” – expressão popular que remete a confusão.

“Acho que nós estamos em um primeiro momento dessa rodada de negociações. Eu espero muito que esses entendimentos frutifiquem e que nós consigamos uma situação de quiproquó”, declarou.

‘Guerra comercial’

Roberto Azevêdo avaliou que ações unilaterais “tendem” a provocar reação de outras partes, e essas reações podem levar a guerras comerciais.

“Esse processo de ação e reação leva, às vezes, a guerras comerciais que não são do interesse de ninguém, onde só há perderdores, já que não há vencedores em uma guerra comercial”, completou.

Sobretaxa ‘preocupante’

Após o encontro com Temer, Azevêdo se dirigiu ao Ministério da Fazenda, onde teve uma reunião com Henrique Meirelles. Ao deixar a reunião, ele afirmou que, embora o Brasil tenha uma pauta de exportações diversificada, a sobretaxa “não deixa de ser preocupante”.

“O governo está analisando a situação, está aberto a dialogar, encontrar soluções e não descarta nenhum curso de ação, nenhuma alternativa”, disse. Azevêdo, reafirmando ser importante que sejam abertos canais de diálogo e negociação entre os países.

Para o diretor-geral da OMC, retaliações automáticas e recíprocas podem gerar um “efeito dominó”, criando uma guerra comercial.

Roberto Azevêdo comentou, ainda, a falta de indicações pelo governo dos EUA para o Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, instância responsável por impor sanções comerciais e por pedir aos países a retirada de medidas consideradas injustas.

Azevêdo negou que a OMC esteja enfraquecida, mas disse que a situação do órgão “é muito delicada” e “preocupante”. “O mecanismo não parou, nós continuamos atuando, ouvindo as apelações, portanto, não houve uma paralisação do sistema ainda. Mas se essa situação perdurar muito tempo, o risco de paralisação é grande”, disse.

União Europeia

Azevêdo informou também ter conversado com Temer sobre as negociações entre Mercosul e União Europeia. No domingo, em viagem ao Chile, Temer afirmou que os blocos fecharão acordo “em definitivo“, depois de 19 anos de trativas.

O bloco econômico formado por Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai tenta há quase duas décadas selar um tratado de livre-comércio com países da União Europeia.

Azevêdo afirmou que vê o processo de maneira “muito positiva”. Ele acredita que o acordo pode melhorar a competitividade da indústria brasileira e oferecer oportunidades no agronegócio.

“Esse processo de aproximação com a União Europeia é um processo que levará a esse salto de competitividade ou pelo menos será um passo importante nesse processo de aumento de competitividade do país”, disse.

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