120 milhões de euros em seis anos para levar mais inovação às empresas

São 120 milhões de euros, distribuídos por seis anos e duas linhas de financiamento, para consolidar o papel dos centros do programa Interface como ponte para a transferência de tecnologia inovadora entre as universidades e centros de investigação e as empresas. O novo modelo de financiamento será formalizado hoje pelo governo no Instituto de Soldadura e Qualidade (Oeiras), um dos 28 centros reconhecidos no programa.

Ao DN, o ministro da Economia explicou que a meta é “dar estabilidade e permitir que estes centros, que apoiam a inovação das empresas, possam acelerar ainda mais o seu trabalho de transferência de tecnologia para as empresas, possam desenvolver mais projetos de inovação mas principalmente possam desenvolver projetos de inovação em áreas mais avançadas”.

No primeiro ano do programa, de acordo com dados do ministério, a atividade destes centros abrangeu perto de 17 mil clientes e serviços prestados aos mesmos no valor de 128 milhões de euros. “A maior parte das empresas são da área industrial e exportadoras. Estão lá as grandes empresas mas também as pequenas e médias empresas que usam o Interface como alavanca para desenvolver a sua produção e os seus processos tecnológicos”, contou Manuel Caleira Cabral, assumindo o desejo de que estas unidades tenham na economia portuguesa um papel “semelhante às melhores práticas em países como a França e a Alemanha, onde, tal como Portugal, têm boas universidades de engenharia, ciência e tecnologia. E têm também instituições que trabalham com as empresas e ajudaram a que estes países sejam tão competitivos”.

De resto, lembrou, “em Portugal, algumas destas instituições de interface já existiam há vários anos e foram muito importantes em setores como a aeronáutica e a indústria automóvel”.

Três prioridades na inovação

A linha de financiamento criada no ano passado deverá totalizar 80 milhões nos próximos seis anos, com cerca de 12 milhões de euros disponíveis para os projetos a apresentar pelos centros em 2018. O principal objetivo, segundo o ministro, será permitir que estas unidades “possam investir na contratação de recursos humanos altamente qualificados”. No entanto, revelou, “será também lançada uma linha para equipamento, que acresce a estes 80 milhões e que poderá ser de 40 milhões de euros”.

Combinadas, as linhas totalizam os referidos 120 milhões que, defendeu Manuel Caldeira Cabral, irão “permitir a estes centros reequiparem-se, quer em termos de recursos humanos quer de equipamentos, e estabelecer ligações internacionais, de forma a que este trabalho de transferência permita certificar as empresas para que estas produzam para as economias mais exigentes, melhorem os seus produtos e os seus processos de produção, não só em áreas em que já estão como em novos produtos tecnológicos”. A linha de crédito não se destina a financiar projetos específicos e sim “a atividade destes centros”.

No entanto, assumiu o ministro, existem “três grandes desafios” colocados quer a estes centros quer aos seus parceiros do lado das instituições do ensino superior e ciência e da indústria. O primeiro, contou, passa pela “digitalização da economia, através da indústria 4.0 [fábricas inteligentes], nomeadamente no setor da moda, as think machines na área industrial”, resumiu. Uma segunda prioridade envolve a chamada economia circular, relacionada com novas utilizações de materiais e reciclagem. “É um desafio muito grande que hoje existe, e que está muito ligado à inovação no processo, no sentido de reduzir a necessidade de materiais, de reaproveitar mas também à inovação do produto”. Finalmente, disse, será priorizada a “eficiência energética”, recorrendo a “software de gestão da eletricidade” e também “fontes de energia renováveis locais, que permitam às empresas poupar nos custos da fatura energética”.

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