“AS STARTUPS DEVEM SE PREPARAR MELHOR ANTES DE BUSCAR INVESTIMENTO”

Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Foto: Divulgação)Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa realizada com mais de mil startups revelou que o principal motivo para o fechamento das empresas é a dificuldade de acesso a capital. O estudo, realizado pela InovAtiva Brasil, programa de aceleração lançado em 2013 pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços em parceria com o Sebrae, conversou com 1044 startups, entre aceleradas e não aceleradas.

Das empresas entrevistadas na Pesquisa de Impacto Inovativa, 302 fecharam as portas.  Para 40% delas, o acesso a crédito e outros recursos financeiros é o principal motivo para encerrarem suas atividades. Em seguida, são relatados problemas para entrar no mercado (16%) e questões societárias (12%).

Para Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Novos Negócios do MDIC e um dos responsáveis pelo InovAtiva, a pesquisa mostra que as startups precisam se preparar melhor antes de buscar investimento. “Muitos empreendedores focam na tecnologia e esquecem da gestão do negócio”, afirma.

“São empresas geralmente compostas por uma equipe técnica, que não tem conhecimento de negócio. Startups que operam sem modelo de receita e dificilmente têm networking de business para acessar. Essas empresas precisam se estruturar antes de buscar investimento.”

Em entrevista exclusiva ao site da  PEGN, o secretário comentou sobre a importância da gestão e ainda refletiu sobre o papel do poder público para o ecossistema brasileiro de startups.

“A função do setor público é fomentar o empreendedorismo e preparar as startups para que elas se tornem grandes negócios.”

O novo ciclo do InovAtiva ficará com as inscrições abertas até o dia 5 de março. Podem participar empresas em diferentes estágios. Os interessados podem se inscrever pelo site.

Abaixo, confira a entrevista completa com o secretário de Inovação e Novos Negócios do MDIC:

Como foi realizada a pesquisa?

O InovAtiva é um programa de quase cinco anos, que começou em 2013 e, desde 2015, conta com duas edições anuais. Com isso, o objetivo da pesquisa era trazer uma entidade externa para medir os impactos do programa, avaliando as etapas e monitorando a situação dos participantes. A ideia é que, com a pesquisa, possamos acompanhar o desempenho dessas empresas ao longo do tempo. É um trabalho que visa a melhoria do programa e o impacto do investimento público realizado na InovAtiva.

Qual foi a principal conclusão da pesquisa?

A nossa conclusão é que o programa tem um impacto muito grande. Isso é provado, porque na pesquisa há um grupo de controle, com startups que não participaram do InovAtiva.

Dos 1044 entrevistados, 266 empresas tinham sido aceleradas e 778 não. Isso é muito importante, porque os números mostram a importância da aceleração para as startups. Enquanto as empresas não aceleradas apresentaram um crescimento de 38% no período analisado pela pesquisa, as startups do InovAtiva dobraram.

Além disso, foi possível perceber o principal motivo para fechamento das startups é a dificuldade de acesso a capital. Para 40% delas, o acesso a crédito e outros recursos financeiros é o principal motivo para fecharem as portas. Isso foi importante para mudarmos a cara do programa, que em 2018 chega com uma nova proposta.

Qual proposta?

Neste ano teremos uma única edição, com maior duração. O programa terá de oito a onze meses, dividido em duas etapas. Ao todo, serão selecionadas 300 empresas, que começam o programa em abril. Ao longo do programa os negócios mais maduros têm a oportunidade de apresentar seus projetos para investidores. E é exatamente aí que vamos focar. Queremos melhorar o preparo desses empreendedores em relação à gestão, busca por investimentos e oportunidades de mercado.

Nas edições anteriores, quando eles iam procurar financiamentos ou primeiros clientes, o programa acabava. Agora não. A gente vai ficar perto para ter certeza que os negócios vão decolar. Queremos dar estofo para que os empreendedores encontrem investidores. A expectativa é que, com isso, os resultados disparem.

Como você apontou, a pesquisa mostra que acesso a capital é a maior dificuldade das startups. Por que isso acontece?

Eu acredito que as startups precisam se preparar melhor antes de buscar investimento. São empresas geralmente compostas por uma equipe técnica, que não tem conhecimento de negócio. Startups que operam sem modelo de receita e dificilmente têm networking de business para acessar. Essas empresas precisam se estruturar antes de buscar investidores.

O que fazer para mudar esse cenário?

Do lado do poder público, a gente considera importante preparar as startups para que se transformem em negócios de sucesso. Precisa da capacitação do nosso lado. Essa é uma etapa do investimento que o governo descobriu necessário. A tecnologia não basta se não tiver um modelo de negócio. Tem que levar para o mercado ou fica difícil ver retorno no investimento feito pelo governo.

O que a gente quer fazer no programa é cobrir esse gap, preparando o empreendedor para sentar com investidor e negociar de maneira mais madura. O nosso objetivo é reduzir esse problema que as startups têm de captar recursos, tanto privados quanto públicos. Também vamos ajudar as empresas interessadas em ganharem editais criados pelo governo.

Em uma nova etapa, vemos a necessidade de fomentar o ecossistema de investidores para as startups, porque os modelos tradicionais de financiamento não funcionam para esse tipo de empresa. Crédito não funciona para uma startup. É importante criar um ecossistema de investidores privados e investidores anjo.

O segundo maior problema apontado pela pesquisa é a dificuldade para entrar no mercado. O que foi feito para mudar isso?

Mudamos o programa. A nova cara do InovAtiva tem como foco auxiliar no processo de negociação de novos clientes. Ainda mais para startups B2B, que realizam vendas técnicas e demoradas. O que estamos propondo é uma conexão. Agora vamos continuar lá até a entrega do produto, o que facilita e muito a chegada de novos clientes.

Na nova edição também vamos focar na internacionalização. Vamos treinar as startups a não se restringirem apenas ao mercado nacional. Em outros países, as startups já nascem globais. Na pesquisa, é possível ver que quase 75% das startups pensam em levar seus produtos para fora do país. Nosso objetivo é facilitar esse caminho.

Já são quase cinco anos de programa. O que o Ministério aprendeu com isso?

Após cinco anos, nós conseguimos ter uma boa visão das dificuldades e dos problemas do setor. E, principalmente, do que as startups precisam. O nosso papel é construir políticas com base na realidade de quem vai usá-las. Com o InovAtiva, temos exatamente a proximidade com as startups que buscamos. Essa é a importância de programas como esse.

fonte: revistapegn.globo.com

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