Escolas de negócios precisam unir cientistas, empreendedores e alunos

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Transformar ciência e inovação em negócios, garantir que as empresas não se percam nos últimos modismos do mundo dos negócios e ensinar gestores a identificar e administrar riscos. Em um mundo cada vez mais acelerado e incerto, esses são alguns dos papéis que as escolas de negócios devem assumir, na opinião de Tiff Macklem, reitor da Rotman School of Business, da Universidade de Toronto. “Nosso papel é preencher o espaço entre a ciência e o negócio”, diz.

Macklem conversou com o Valor recentemente quando esteve em São Paulo. No Brasil, ele se encontrou com futuros alunos do MBA da escola e acompanhou uma parte da turma atual em um tour de empresas locais. Hoje há cerca de 45 brasileiros entre os 700 profissionais matriculados nos dois anos do curso de MBA, onde pouco mais da metade da turma vem de fora do Canadá. O número de inscrições para o MBA da escola, que vinha aumentando em 10% ao ano, cresceu em quase 30% no ano passado, movimento que Macklem atribui à maior atratividade do Canadá para imigrantes na comparação com o Reino Unido pós-Brexit e com os EUA de Donald Trump.

O foco em promover a aproximação entre cientistas, empreendedores e alunos de MBA existe na Rotman desde a criação do “Creative Destruction Lab” (Laboratório da Destruição Criativa), em 2012. Cerca de um terço da turma de MBA participa da iniciativa, que há três anos se dedicou à criação de negócios com base na inteligência artificial.

Mais de 100 startups já passaram pelo laboratório, e juntas geraram um valor em ações de mais de US$ 1 bilhão. Atualmente o foco está se voltando para a computação quântica – 25 startups com ideias relacionadas à tecnologia que mistura aprendizado de máquina e física quântica foram selecionadas para integrar o programa neste ano.

Há quase quatro anos no comando da escola de negócios canadense, Macklem também vê no “Creative Destruction Lab” uma maneira de replicar o sucesso do atual berço da inovação americana, o Vale do Silício, reunindo empreendedores experientes, investidores e gestores. Para os pesquisadores desenvolvendo tecnologias, o contato com gestores ajuda a descobrir como criar um negócio a partir dos resultados obtidos em pesquisas.

“Eles sabem muito sobre a ciência da invenção mas eles não sabem exatamente qual problema ela vai resolver”, diz. Este ano a Rotman também está lançando um master em gestão de dados, voltado para profissionais com formação mais técnica e tecnológica em busca de uma carreira como gestor.

Já para os alunos de MBA que se envolvem nos novos negócios, além da possibilidade de se tornar sócio, a proximidade com o ambiente incerto das startups oferece a experiência de “pôr a mão na massa”. “Sentar em uma sala de aula é um bom ambiente para aprender determinadas coisas, mas não todas. No laboratório, eles trabalham diretamente com os fundadores das startups e precisam lidar com a incerteza de um novo negócio, sem apoio de áreas como RH e jurídico, como estão acostumado nas empresas onde trabalhavam”, diz. Dos cerca de 100 alunos que passam pela disciplina todos os anos sai um misto de empreendedores e executivos, que com frequência atuam nas áreas de inovação de companhias.

Quando Macklem conversava com CEOs há três anos sobre inteligência artificial, era comum ouvir que eles não enxergavam uso para a tecnologia em suas companhias. “Isso mudou”, diz Macklem. Hoje é difícil uma empresa não estar em busca de mais inovação na área com estratégias diversas – seja criando aceleradoras ou espaços de coworking para aproximar os funcionários do ambiente mais “disruptivo” das startups, ou desenvolvendo braços de inovação dentro do organograma.

Para Macklem, aprender a diferenciar oportunidades reais de negócio de modismos é também uma habilidade essencial para escolas de negócios ensinarem. “Há muitos objetos brilhantes por aí, e não se deve ficar obcecado por eles sem entender o que eles fazem do ponto de vista do negócio. Os fundamentos da gestão devem fornecer clareza em um mundo em rápida transformação”, diz.

Apesar do sonoro nome do “Creative Destruction Lab”, a postura de Macklem é menos a do antigo slogan do Facebook popularizado como máxima do Vale do Silício – “movimente-se rápido e quebre coisas” – e mais a de alguém que já assistiu de perto aos efeitos de corrida exagerada para alavancar o risco. Na crise de 2008, Macklem era o número dois no banco central canadense e participou do conselho do G-20 durante a recuperação da economia. Hoje, ele é presidente do conselho do Global Risk Institute, organização voltada para pensar a área de risco no mercado financeiro.

“A chave para mentalidade de ‘quebrar coisas’ é quebrar coisas pequenas. É uma ideia que é consistente com a gestão de riscos, e não significa que você não deve assumir riscos, mas sim que precisa fazê-lo com os olhos abertos”, diz. Desenvolver profissionais com uma visão ampla da área é outro papel importante para escolas de negócios, na sua opinião. Este ano a escola está lançando o primeiro master em gestão de riscos financeiros, que aborda temas como ameaças cibernéticas, riscos de estratégia e os decorrente de novas tecnologias.

http://www.valor.com.br

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