Investir em inovação aumenta a produtividade dos países

Os autores da obra The Quadruple Innovation Helix Nexus (Palgrave MacMillan), consideram que a força motriz da inovação reside em adequadas políticas públicas e nas iniciativas “de baixo para cima” levadas a cabo pela sociedade civil.

No modelo das Quatro Hélices a inovação é produzida pela interação entre a universidade e as infraestruturas de produção de conhecimento, as empresas e indústria, o governo e, por fim, a sociedade civil.

“Estes quatro vetores geram conhecimento e inovação contínua através de parcerias, colaborações em rede e relações de simbiose,” explicou a editora Sara Paulina de Oliveira Monteiro, PhD em Economia pela Universidade de Sophia Antipolis (Nice, França)

O que esta compilação do estudo de 16 investigadores traz de novo é um modelo matemático para representar a interação dos quatro vetores de inovação e o seu impacto no crescimento económico nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Os cálculos concluem que “o aumento das despesas públicas produtivas conduz a um crescimento econômico superior.”

Por esta razão, os autores aconselham a leitura do livro aos decisores públicos, àqueles que desenham as políticas de inovação e de crescimento.

“É fundamental reconhecer o impacto das políticas públicas no ecossistema de inovação”, defendeu a governante durante a sua apresentação. Para si, a inovação é, tal como a exportação, uma prioridade no crescimento económico.

No prefácio, Álvaro Santos Pereira, diretor do Departamento de Economia da OCDE, diz que a inovação está na base da resolução do enigma da produtividade, que, por sua vez, tem impacto na criação de emprego e no crescimento.

O debate das Quatro Hélices Para dar voz aos quatro pilares da inovação, a organização do evento juntou em debate representantes do Estado, da indústria, da sociedade civil e da academia.

Para alguns dos presentes, não basta ter um sistema com Quatro Hélices de inovação em movimento. “Portugal precisa de converter o saber em fazer”, defendeu Carlos Fiolhais, fundador da Coimbra Genomics, abrindo o debate moderado por Rosália Amorim, diretora editorial do Dinheiro Vivo.

Na mesma linha de pensamento esteve Margarida Mano da Comissão Parlamentar Ciência e Inovação da Assembleia da República, antiga Ministra da Educação, ao dizer que o país tem de melhorar na conversão que faz do conhecimento em valor. Para Gonçalo Lobo Xavier, do Comité Económico e Social da Comissão Europeia, existe falta de coordenação entre a academia e a indústria: “os empresários precisam de entender a importância da ciência e a universidade precisa de entender a importância da indústria.”

João Paulo Oliveira, administrador da The Navigator Company, apontou o dedo às ineficiências do Estado, o que, para muitos presentes, bloqueiam o bom funcionamento deste novo modelo. O ex-CEO da Bosch deu o exemplo do tempo que teve de esperar para ver aprovada a candidatura do centro de excelência que se prepara para inaugurar em Aveiro. “Estivemos 18 meses para aprovar a candidatura”, afirmou.

O novo centro de investigação é uma parceira entre a The Navigator Company e as unidades de Aveiro e Coimbra para desenvolver a área da pasta, do papel e da biotecnologia. Para João Caraça, presidente do Conselho Geral da Universidade de Coimbra, este modelo matemático apresentado no livro vem diferenciar-se de modelos de inovação como o da COTEC por ser aplicado a sistemas e não apenas a empresas. Na sua opinião, inovar não é fácil: “inova-se porque é preciso para defrontar a concorrência.”

Pedro Braz Teixeira, diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, defende que para o país inovar e crescer é preciso antes de mais resolver o problema da dívida através da atração de investimento direito estrangeiro. Nunca esquecendo que há que superar o obstáculo da burocracia do Estado, o que, na sua opinião, é um dos principais entraves à política de inovação.

O que podemos fazer? Como olear o sistema de inovação com base nos quatro vetores? Para Lobo Xavier, não adianta aumentar a despesa pública em inovação se o Estado continuar complicado. Na sua opinião, e também na de João Paulo Oliveira, uma medida útil seria baixar as taxas de IRC para as empresas com investimento em inovação. Já Pedro Braz Teixeira defende que “o Estado deve deixar de encarar as empresas como inimigas.”

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