Baixa inovação põe o Brasil no papel de coadjuvante, mostra levantamento

DivulgaçãoRanking divulgado recentemente pela Bloomberg mostrou que o Brasil tem uma economia menos inovadora que países como Grécia, Malta, Marrocos, Tunísia, Turquia, Irã e Tailândia. Seu desempenho em quesitos como gastos com P&D, presença de alta tecnologia, concentração de pesquisadores, registros de patentes e participação de novos graduados em ciência e engenharia na força de trabalho deixou o país de fora do ranking dos 50 maiores, liderado pela Coreia do Sul.
Apesar de ser a nona maior economia do mundo (segundo dados do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, referentes a 2016), o Brasil sistematicamente carrega posições ruins quando o assunto é inovação. Com a recessão econômica dos últimos anos, que afetou as finanças das universidades públicas, dos institutos de pesquisa e das empresas, a tendência é que o país fique em uma posição ainda menos honrosa nos próximos anos.
Uma das empresas que decidiram investir em um centro de inovação foi a Ambev, que começou a ocupar seu laboratório no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, em agosto passado, mas que ainda não foi inaugurado oficialmente pela companhia. Os investimentos no Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), que ocupa cerca de 20 mil metros quadrados, foram de R$ 180 milhões.
Segundo a companhia, o CIT contará com unidades fabris experimentais em nano e microescala, com condições para gerar protótipos em quantidade suficiente para atender a demanda crescente de desenvolvimento de novos produtos e a comercialização em mercados-teste. O local servirá para acelerar o processo de inovação de produtos, tanto de novas bebidas (cervejas, refrigerantes, chás, isotônicos e energéticos) quanto em embalagens, e fará parte da rede global de cooperação tecnológica da AB InBev, formada por outras universidades ao redor do mundo.
Os consumidores também farão parte dos trabalhos no CTI, já que serão feitas pesquisas para entender as percepções e o comportamento dos consumidores.
A fabricante de bebidas se juntou a outras grandes empresas, como a L’Oréal, que passou a fazer suas pesquisas no Parque Tecnológico em outubro do ano passado, e a outras multinacionais, como GE, Siemens, Dell EMC e a BG Group.
A proposta da multinacional francesa é dar rapidez ao processo de desenvolvimento de produtos voltados às necessidades brasileiras. A L’Oréal tem sete centros desse tipo no mundo e o único na América Latina fica no Parque do Fundão, em uma área de 15 mil metros quadrados ocupada por cerca de 100 pesquisadores. O foco é nos produtos mais valorizados pelo consumidor brasileiro, como os voltados aos cuidados com cabelos e pele, proteção solar e higiene.
A companhia trabalha com a possibilidade de as inovações mais relevantes saídas dos laboratórios cariocas possam ser adotadas pela companhia globalmente. Para a direção da L’oréal, o centro de pesquisa e inovação mostra não só a confiança no potencial do mercado brasileiro de beleza — o quarto maior do mundo — como o compromisso da empresa com o país.
Efeito pré-sal 
O Parque Tecnológico da UFRJ foi colocado de pé graças ao bom momento que o setor de petróleo e gás vivia, em boa medida por conta dos investimentos em projetos de exploração na camada do pré-sal. Em 2010, começaram a desembarcar na Ilha do Fundão as primeiras empresas, como Petrobras e a Shlumberger. Na época, o local chegou a ser apelidado de “Vale do Silício carioca”.
Os investimentos, segundo José Carlos Pinto, diretor do parque, somam algo em torno de R$ 1 bilhão até hoje. Atualmente, estão em funcionamento no local cerca de 70 empreendimentos, desde laboratórios patrocinados por multinacionais até pequenas empresas e startups que querem trabalhar em parceria com a universidade.
Apesar do crescimento constante, o diretor do Parque Tecnológico admite que os investimentos nos últimos anos encolheram — em parte por causa do momento vivido pelo setor do petróleo, com cotações em queda, e também como reflexo da economia brasileira em baixa.
Para o executivo, a regulamentação do Código Nacional de Ciência e Tecnologia, aprovado no fim de 2016 —, e que ainda depende de discussões no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação para ter validade — poderia diminuir o fosso entre geração de riqueza do país e produção intelectual voltada à inovação. Hoje, explica, sem o código, o investimento de empresas e startups em parcerias com universidades é tratado como se fosse a compra de materiais para almoxarifado, ou seja, depende de licitação em vez de levar em consideração o tipo de apoio à pesquisa que pode sair desse trabalho em conjunto. “Isso faz com que o conhecimento gerado nas instituições públicas não chegue ao mercado. Temos um marco legal e jurídico avesso aos investimentos privados e avesso à relação entre o público e o privado”, explica.
Apesar do ambiente pouco favorável a investimentos, o diretor do Parque Tecnológico prevê para este ano fazer uma nova rodada de licitação para receber mais empresas interessadas em instalar seus centros de pesquisa.
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