Ibovespa sobe 1,95%, atinge 77.891 pontos e renova recorde histórico

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SÃO PAULO  –  A bolsa de valores no Brasil retomou o fôlego na virada do ano e cravou nova marca histórica de fechamento no primeiro pregão de 2018. O Ibovespa fechou esta terça-feira em alta de 1,95%, aos 77.891 pontos. Deixou para trás, assim, a máxima histórica, de 76.989 pontos, marcada no dia 13 de outubro do ano passado. 

Sem a pressão de um noticiário político negativo, os investidores deram atenção ao ambiente internacional positivo para ativos de risco. Também influenciou o mercado a visão de que a recuperação econômica em curso vai prosseguir, com efeitos benéficos sobre o resultado das empresas.

O movimento da bola foi considerado forte, sobretudo levando-se em conta o período do ano: o giro financeiro somou R$ 8 bilhões. E foi patrocinado em grande parte pela presença de investidores estrangeiros, segundo relato de operadores. Para efeito de comparação, o primeiro pregão de 2017 teve um movimento financeiro de R$ 1,9 bilhão.

Em dólar, o índice ainda está bem aquém do nível histórico, que é de 44.616 pontos, atingido no dia 19 de maio de 2008. Hoje, o indicador fechou a sessão valendo 23.822 pontos, o maior patamar desde o dia 20 de outubro de 2017, quando tocou 23.997 pontos.

O que permitiu esse rali da bolsa foi, em primeiro lugar, a retirada de alguns elementos que travavam o mercado no fim de 2017. O vaivém em torno da reforma da Previdência desencorajou investidores e levou muitos agentes, locais e estrangeiros, a zerarem posição, à espera de alguma definição. A ameaça do rebaixamento pela S&P, decorrente do atraso da reforma, reforçou esse ambiente.

Mas com esse ajuste, o mercado pode começar o ano mais leve, com preços mais atrativos. Essa conjunção abriu espaço para que investidores operassem, enfim, em cima de indicadores mais positivos sobre a economia local e externa.

“Existe uma recuperação da atividade que já está contratada e que independe do fator político”, afirma o sócio da Rosenberg Associados, Marcos Mollica. “Isso gera um ambiente muito positivo e justifica nossa posição em bolsa”, apontou.

Na lista de boas notícias sobre a atividade, veio somar-se hoje o Índice de Confiança Empresarial (ICE), da FGV, que avançou 1,2 ponto em dezembro, para 93,1 pontos, o maior nível desde abril de 2014, após seis meses consecutivos de alta. Além disso, a pesquisa Focus, do Banco Central mostrou leve alta na estimativa para crescimento do PIB em 2017, de 0,98% para 1%, e para 2018, de 2,68% para 2,70%.

No fim do ano passado, o mercado já vinha reagindo a indicadores mostrando que o varejo teria um desempenho finalmente positivo neste Natal, revertendo resultados observados desde 2014. Leitura que ajudou especialmente empresas do setor de varejo.

Em relatório distribuído hoje a clientes, analistas do BTG Pactual, chamam a atenção para o efeito positivo que a continuidade da recuperação gradual da economia deve exercer sobre as ações brasileiras nos próximos dois meses. A expectativa dos analistas é de que haja uma nova rodada de crescimento do lucro das companhias, de 18%.

Além disso, os analistas dizem que os papéis são negociados em níveis relativamente atraentes – 13,2 vezes a relação preço/lucro, um pouco acima da média histórica. E que investidores globais mantêm alocação em níveis baixos em termos históricos.

Por fim, uma queda provocada pela não realização da reforma da Previdência seria limitada, uma vez que o cenário de 2018 já precifica essa frustração.

O fluxo de notícias, concluem os analistas do BTG, sobre as eleições pode ser positivo no curto prazo. “Acreditamos que a maioria dos investidores não espera que uma reforma da Previdência significativamente reduzida seja aprovada pelo governo atual, ou seja, qualquer notícia positiva aqui seria positiva (discussões para retomar somente em meados de fevereiro).”, diz o relatório.

Sobre as eleições presidenciais, “que são altamente imprevisíveis e devem aumentar a volatilidade”, o BTG lembra que o ex-presidente Lula, que lidera todas as pesquisas, pode ter sua candidatura bloqueada pelos tribunais brasileiros.

Outro elemento doméstico que ajuda a bolsa é o juro. Hoje, os contratos DIs operaram em queda firme, valendo-se não só do exterior mas também da visão de que o cenário para a inflação é muito positivo para 2018, com chances de haver ao menos mais dois cortes de 0,25 ponto da Selic.

“A curva de juros precifica algum aumento de juros em 2018 e em 2019. E, para este ano, esse prêmio está diminuindo”, diz Mollica. Além de dados recentes de inflação, a confirmação de que a tarifa de energia elétrica em janeiro será verde reforça esse quadro benigno para os índices de preços.

Na lista das maiores altas, siderúrgicas acabaram se destacando. Usiminas PNA fechou em alta de 5,49%, Gerdau PN ganhou 4,77%, Gerdau Metalúrgica avançou 4,49% e Vale ON subiu 3,63%.

Na ponta negativa, Eletrobras PNB recuou 3,79% e Eletrobras ON cedeu 2,84%, com investidores ainda de olho no noticiário sobre a privatização da companhia.

Estreante na carteira teórica do Ibovespa, Magazine Luiza ON passou boa parte do dia em alta firme, mas acabou cedendo e perdeu 1,15% no fechamento, num claro movimento de realização de lucros.

(Lucinda Pinto | Valor)

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