Maior IPO da Alemanha nas últimas décadas será da Siemens (divisão soluções médicas)

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A Siemens, maior conglomerado industrial da Europa, pretende listar na Bolsa de Frankfurt as ações de sua divisão de soluções médicas, avaliada em EUR 40 bilhões, preparando o caminho para a maior oferta pública inicial de ações (IPO) da Alemanha em mais de duas décadas.

Ontem, o grupo sediado em Munique escolheu a Bolsa de Frankfurt, em detrimento da Bolsa de Nova York, para a listagem da Healthineers, uma empresa de diagnósticos por imagem. A decisão do conselho de administração de listar a companhia nessa praça – provavelmente no primeiro semestre de 2018 – é uma vitória para a Deutsche Börse, que com frequência perde grandes listagens para Nova York, Londres e Hong Kong.

Como parte do IPO, espera-se que a Siemens venda uma participação minoritária de até 25%. Isso fará da operação o maior lançamento de ações na Alemanha desde o IPO de US$ 13 bilhões da Deutsche Telekon em 1996, segundo a Dealogic, que fornece dados e análises para o mercado de capitais.

A listagem será o maior movimento feito até agora pelo executivo-chefe Joe Kaeser em seu esforço para reorganizar a estrutura dispersa do grupo. Sob o plano Vision 2020 de Kaeser, lançado em 2014, a Siemens está se concentrando nas principais operações industriais e desmembrando suas outras divisões sob um modelo de negócios que chama de “frota de embarcações”.

No terceiro trimestre, a Healthineers foi a maior das nove divisões da Siemens em receita, com vendas de EUR 3,7 bilhões. Suas margens de 19% também fizeram dela a mais lucrativa. Analistas avaliam a companhia em cerca de EUR 40 bilhões. A divisão é conhecida por vender equipamentos médicos para hospitais, mas suas margens elevadas derivam da oferta de serviços, que combinam equipamentos e softwares, incluindo serviços de consultoria.

A Siemens já fundiu sua unidade de energias renováveis com a Gamesa, uma fabricante de turbinas eólicas da Espanha, e listou a empresa combinada em Madri. No momento, o grupo está unindo sua divisão ferroviária com a Alstom, da França, que então será listada em Paris.

Na busca por uma praça para lançar as ações da Healthineers, a Siemens descartou Londres, em parte por causa da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE), informaram três pessoas a par dos negócios da companhia. A Siemens não quis comentar se Londres chegou a entrar no páreo.

“Frankfurt é um dos maiores centros de negociação de ações do mundo e sua importância continuará aumentando por causa do Brexit”, disse Michael Sem, membro do conselho de administração responsável pela Healthineers. “Por ser uma praça de alta liquidez, Frankfurt é atraente para investidores do mundo todo.”

Pessoas a par da decisão disseram que Frankfurt também teve preferência sobre Nova York por causa do apelo que tem para os investidores asiáticos e porque o grupo queria manter os sindicatos alemães satisfeitos. A administração da Siemens já está envolvida numa batalha pública sobre a eliminação, prevista para breve, de quase 7 mil empregos em sua principal unidade de energia.

Outro fator que prejudicou os Estados Unidos foi que as companhias da área de cuidados com a saúde listadas em Nova York tendem a ser centradas no mercado americano, disseram pessoas que acompanham o assunto. Embora o maior mercado da Healthineers sejam os EUA, os próximos dois maiores países em receita são a China e o Japão, e a Siemens quer que o grupo seja visto como “verdadeiramente globalizado”, disse uma pessoa.

Analistas especularam, vários meses atrás, que Nova York seria o local mais provável do IPO, em parte porque as empresas de cuidados com a saúde listadas nos EUA tendem a ser negociadas a múltiplos maiores que as da Europa. No entanto, na entrevista anual à imprensa da Siemens, realizada este mês, o diretor financeiro Ralf Thomas disse que o viés de valorização a favor dos EUA diminuiu em relação há 10 ou 15 anos atrás. Do ponto de vista econômico, disse ele, não há mais um motivo claro para a listagem em Nova York.

Kaeser disse ao “Financial Times” que “conglomerados antiquados definitivamente não sobreviverão”, e que a companhia está digitalizando suas operações com softwares e se adaptando ao crescimento das fontes de energias renováveis. A jornalistas, ele também disse que os concorrentes da Siemens têm sido “menos ativos em seus processos de transformação estratégica” – uma menção velada à arquirrival General Electric.

A Siemens contratou o Goldman Sachs, o Deutsche Bank e o JP Morgan como coordenadores líderes da operação.

http://www.valor.com.br

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