Unilever compra Mãe Terra e prevê duplicar operação

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A Unilever fez ontem sua estreia no mercado brasileiro de alimentos naturais e orgânicos, com a aquisição de 100% da Mãe Terra, por uma quantia não divulgada. A empresa, fundada em 1979, vende produtos orgânicos e naturais em todo o país e gera receita anual da ordem de R$ 100 milhões. Nos últimos cinco anos, a companhia cresceu, em média, 30% ao ano.

Fernando Fernandez, presidente da Unilever Brasil, disse que o plano da companhia é acelerar esse ritmo de crescimento, com investimentos em melhoria da distribuição e da produção. “Hoje já ligamos para vários varejistas para anunciar a aquisição. Há possibilidade para dobrar a penetração e dobrar a distribuição da marca em um curto espaço de tempo. Esse é o objetivo e temos habilidade para fazer acontecer”, afirmou.

A Mãe Terra emprega 300 pessoas em uma fábrica em Osasco (SP) e produz 120 itens, incluindo cereais orgânicos, biscoitos e produtos para culinária.

Fernandez reforçou a aposta da Unilever no país, apesar da recessão, e lembrou que a multinacional já passou por outras crises no Brasil. “A aquisição de hoje é uma mostra da confiança que temos no que vai acontecer no mercado brasileiro no próximo ano. Este ano foi mais complicado, mas já está havendo uma certa recuperação.”

Segundo ele, houve uma melhora em volume de vendas no terceiro trimestre. “A redução da inflação começou a exercer impacto sobre o consumo. Mas ainda é cedo para dizer que estamos retomando patamares de anos atrás.”

A negociação para compra da Mãe Terra levou em torno de um ano. A Unilever vai manter o presidente da companhia, Alexandre Borges, à frente da marca, com independência para tocar o plano de expansão. “Fizemos isso com a Ben & Jerry’s. Vamos dar infraestrutura para crescer mais rapidamente. A presença dele é importante para isso”, disse o presidente da Unilever.

Borges, que também fundou e vendeu no passado a Flores Online e a agência de comunicação Significa, disse que considerou “um alento ver o interesse da Unilever em escalar a Mãe Terra, respeitando os princípios da marca”. O empresário disse que recebeu propostas de outras empresas nos últimos 12 meses. Uma fonte familiarizada com o negócio disse que a lista incluiu fundos de investimento e gigantes como Nestlé, Pepsico e Kellogg.

O mercado de alimentos orgânicos e naturais movimenta por ano EUR 8 bilhões no Brasil, segundo a Euromonitor International. O país é o quinto maior mercado de alimentos e bebidas saudáveis do mundo. Nesse segmento, a Mãe Terra é a nona maior empresa, com 0,5% de participação nas vendas de orgânicos. No país, a categoria é liderada por empresas dedicadas ao segmento, como a Usina São Francisco, com a marca Native, a Jasmine e a Superbom.

Entre grandes fabricantes de alimentos, a Camil e a Josapar situam-se entre as dez maiores empresas do ramo de orgânicos. Mas, em anos recentes, multinacionais têm apostado na categoria, como a Nestlé com um investimento recente em leite orgânico, a Coca-Cola com a compra da Verde Campo, e a Ambev, com a aquisição da empresa de sucos Do Bem.

A Unilever é a 68ª empresa no mercado global de alimentos saudáveis, com uma fatia de 0,1%. Globalmente, a multinacional fez aquisições recentes na categoria de alimentos naturais e orgânicos. Em setembro, comprou a inglesa Pukka Herbs, de chás orgânicos. Em abril, adquiriu a Sir Kensington’s, que produz molhos veganos. Em março, a Unilever Ventures fez um aporte de US$ 9,2 milhões na americana Sun Basket, serviço de entrega de refeições orgânicas.

A companhia segue a tendência adotada por outras multinacionais, de comprar marcas já existentes para acelerar o crescimento na categoria. Fernandez disse que, futuramente, pode trazer ao Brasil uma das marcas adquiridas no exterior, ou exportar a Mãe Terra. Mas a prioridade é acelerar a expansão da Mãe Terra no país.

Desde 2013, a Mãe Terra tinha 70% do seu capital nas mãos de Alexandre Borges, que também presidia a empresa, e 30% nas mãos do grupo de investimentos BR Opportunities. Como parte do acordo, a BR Opportunities deixa a operação e Alexandre Borges torna-se diretor-geral da Mãe Terra, que será agora um negócio na divisão de alimentos da Unilever.

http://www.valor.com.br

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