Marca Lenovo sai de cena e Motorola volta com mais força

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Quando comprou a Motorola do Google por US$ 2,9 bilhões em 2014, a fabricante chinesa Lenovo anunciou que sua estratégia no mundo dos smartphones estaria baseada na manutenção de duas marcas: a Motorola nos mercados onde a marca ainda era forte, como a América Latina, e a Lenovo em países como a China, onde já tinha conquistado um bom espaço.

O que se viu, no entanto, foi um reforço da presença da Lenovo pelo mundo. A octogenária Motorola deu lugar a um “Moto by Lenovo” no começo do ano passado e, mesmo no Brasil, que sempre esteve entre a segunda e a terceira colocação na lista de operações mais importantes da companhia, a linha Vibe, da Lenovo, ganhou impulso.

Neste ano, a estratégia se inverteu. A marca Motorola foi retomada e os smartphones Lenovo estão saindo de cena.

O objetivo agora é crescer ao redor do mundo e retomar a terceira colocação no mercado global de smartphones.

“O plano inicial era complexo, manter duas empresas distintas. Mas não é que fizemos algo errado. Precisávamos de algum tempo para ver como as coisas se acertavam [depois da aquisição]. E ficou claro que deveríamos concentrar os esforços em uma equipe e em uma marca, não em duas competindo entre si”, disse ao Valoro francês Aymar de Lencquesaing, presidente da Motorola e co-presidente da divisão de negócios de mobilidade da Lenovo.

Ele, que esteve no Brasil, recentemente, destacou que a ideia não é negar a “filiação” da Motorola. O logo da Lenovo continua presente nas caixas dos smartphones. Mas sem o “by” introduzido ano passado.

Com o foco em uma marca, a companhia também simplificou seu portfólio. De 30 aparelhos somando Lenovo e Motorola, a oferta foi reduzida para 12, divididos em quatro linhas: Z, G, E e C – sendo a Z a mais cara e a C a mais acessível.

No começo do mês, a companhia anunciou a reativação da linha X, que teve seu último lançamento em 2015. O novo modelo intermediário ficará entre as linhas Z e G quando chegar às lojas globalmente, ainda sem data prevista.

Segundo Lencquesaing, a companhia não pretende lançar uma linha de aparelhos super caros, para rivalizar com o Apple X, que custará a partir de US$ 999. “O mundo precisa de um telefone de US$ 999?”, questionou.

O plano é investir mais nos acessórios que podem ser adicionados ao Z para ampliar suas funcionalidades. Um desses módulos é uma câmera com tecnologia da sueca Hasselblad, uma das mais respeitadas marcas de fotografia do mundo, e zoom de dez vezes.

Mas há outras opções, como uma bateria que dá até 16 horas de carga extra ao telefone, um controle para jogos e uma câmera 360 graus.

A proposta do telefone modular é que o consumidor gaste dinheiro apenas com os recursos adicionais que achar mais convenientes, e não comprando um aparelho caro com funções que pode vir a não usar, explicou o executivo.

“O formato de dispositivo com tela de 5,5, 6 polegadas vai existir por muito tempo ainda, por conta da praticidade de caber no bolso etc. Por isso faz sentido investir no conceito da modularidade”, disse o presidente.

Financeiramente falando, o executivo disse que o modelo também compensa, uma vez que o ciclo de desenvolvimento é mais curto que o de um novo smartphone – de três a quatro meses, contra até 12 meses -, o que permite capitalizar novas tendências tecnológicas mais rapidamente.

A meta é, segundo ele, lançar entre três e quatro novos módulos a cada três meses. Por aqui, os Snaps, como são chamados, custam entre R$ 399 e R$ 1.499.

Uma forma de popularizar os módulos é abrir o seu desenvolvimento para outras empresas. No momento, a Motorola está em conversas com mais de mil interessados em participar desse programa, disse Lencquesaing.

A compra da Motorola havia elevado a Lenovo à terceira posição no ranking mundial de fabricantes smartphones, atrás apenas da Samsung e da Apple. Mas a posição foi perdida para a também chinesa Huawei ainda em 2014. No começo do ano passado, outras duas chinesas, a Oppo e a Vivo, que pertencem ao grupo BBK Electronics (que também é dono da OnePlus), tiraram a Lenovo da lista dos cinco maiores vendedores globais, assumindo a 4ª e a 5ª posição, respectivamente.

No Brasil, a Motorola é a segunda marca mais vendida no mercado de celulares, atrás da Samsung.

No balanço do trimestre encerrado em 30 de junho – o primeiro do ano de 2018 – a divisão de dispositivos móveis da Lenovo apresentou prejuízo de US$ 173 milhões, para uma receita de US$ 1,75 bilhão. A perda foi menor que os US$ 206 milhões registrados um ano antes, quando a receita havia sido de US$ 1,7 bilhão, o que mostra que a unidade está no caminho certo, segundo Lencquesaing.

“No Google as perdas passavam de US$ 1 bilhão por ano e ela perdia dinheiro antes também. Sabíamos que era uma empresa que teríamos que reestruturar. Traçamos um plano e há cinco trimestres estamos atingindo o que era esperado. Na verdade estamos até um pouco melhor do que o previsto”, disse o executivo.

Em apresentação a analistas, o presidente mundial da Lenovo, Yuanqing Yang, disse que a expectativa é atingir o equilíbrio entre receitas e despesas na segunda metade do ano, que vai de 1º de outubro a 31 de março.

De acordo com Lencquesaing, a companhia tem apresentado bons resultados em todas as regiões. Nos Estados Unidos, ela encerrou um acordo de exclusividade de vendas com a Verizon, e agora está presente em todas as quatro grandes operadoras do país. “Temos a fundação, a marca, a propriedade intelectual. Agora temos que crescer”, disse.

http://www.valor.com.br

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