O que aconteceu com a Máquina de Vendas?

 

Máquina de Vendas, que havia fechado 155 lojas em 2016, fecha mais 100 neste ano

A Máquina de Vendas, dona da Ricardo Eletro e uma das maiores varejistas de eletrodomésticos do país, voltou a fechar lojas neste ano, enquanto continua negociando uma dívida bancária de R$ 1,4 bilhão. A companhia tem buscado socorro emergencial no setor financeiro e o crédito tem chegado a conta-gotas.

Valor apurou que a companhia fechou cerca de 100 lojas neste ano, até agosto. No ano passado, havia fechado 155. A rede encolheu de 810 unidades, em 2016, para pouco mais de 700 lojas neste ano.

A negociação com os bancos credores Bradesco, Itaú e Santander para achar uma solução para a dívida de R$ 1,4 bilhão ainda está em aberto. Os bancos foram procurados pelo Valor, mas não se pronunciaram.

Nos últimos meses, a empresa conseguiu R$ 220 milhões junto aos três bancos. Deste total, R$ 117 milhões referem-se à liberação, junto ao Bradesco, da carteira de cartão de crédito que estava “travada”, informa um relatório da administração da rede publicado semanas atrás. Outros R$ 103 milhões entraram por meio da compra, por parte dos bancos credores, de Cédula de Crédito Bancário (CCB) da empresa. Esses valores entraram no caixa no segundo trimestre, e parte já foi consumido.

A varejista está “discutindo uma nova estrutura de dívida do grupo de forma a adequar a geração de recursos com a estrutura de capital”, segundo o relatório de resultados de 2016, publicado em agosto. Procurado, a Máquina de Vendas não se pronunciou.

Essa liberação de recursos não tem impedido o encolhimento da operação. A rede City Lar, adquirida em 2012 para ser o braço do grupo no Centro-Oeste e Norte, foi praticamente extinta, apurou o Valor. O grupo não tem mais lojas no Mato Grosso do Sul, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre. Concorrentes como a Novo Mundo e a Via Varejo (dona da Casas Bahia e do Ponto Frio) ampliaram as vendas em parte dessa região.

A Máquina de Vendas fala, no relatório de 2016, que tem fechado unidades de “baixa rentabilidade”. E “em função das necessidade de caixa”, continua o grupo, “se faz necessário a obtenção de novos empréstimos” e de novas garantias.

Segundo fontes próximas à operação, os sócios do grupo, Ricardo Nunes e Luiz Carlos Batista, consideram a hipótese de fazer um aporte na empresa, que poderia atingir o tamanho da dívida em aberto com bancos credores, de R$ 1,4 bilhão.

Segundo fontes próximas à operação, os sócios do grupo, Ricardo Nunes e Luiz Carlos Batista, consideram a hipótese de fazer um aporte maior na empresa, que poderia atingir o tamanho da dívida em aberto com bancos credores, de R$ 1,4 bilhão, como alternativa a um plano anterior, que não teria avançado. O plano era transformar os bancos credores em sócios indiretos da empresa, transformando o valor da dívida em participação acionária de uma nova holding. Esta assumiria as dívidas devidas aos bancos Bradesco, Itaú e Santander.

Alguns fabricantes de produtos eletrônicos, como TVs, só estavam aceitando vender para a empresa nos últimos meses se o pagamento fosse à vista, informou ao Valor o diretor de uma fabricante.

Por conta desse cenário de negociação com a indústria, o portfólio da Máquina encolheu em relação à concorrência. Na linha de celulares, por exemplo, a Ricardo Eletro oferece pouco mais de 130 modelos em seu site; a Casas Bahia, 700, e o Magazine Luiza, 420. Em televisores (modelo smart), são 33 modelos na Ricardo Eletro, para 120 no Magazine Luiza e 162 na Casas Bahia.

Em valores estocados de mercadorias para revenda em dezembro de 2016, a Máquina registrava R$ 1 bilhão ao fim de 2015, mas um ano depois, em dezembro do ano passado, havia alcançado R$ 720 milhões.

Relatório de resultados de 2016, publicado no fim de agosto, mostra a empresa com patrimônio líquido de apenas R$ 86,7 milhões no ano passado – era de R$ 740,2 milhões em 2015. A Via Varejo, com 975 lojas ao fim de 2016, somava patrimônio de quase R$ 3 bilhões.

A queda do patrimônio reflete a piora da última linha do balanço. O prejuízo da Máquina de Vendas atingiu R$ 653,5 milhões no ano passado, 59% acima do mesmo intervalo do ano passado. Em 2016, a varejista fechou com receita bruta de R$ 6,56 bilhões, retração de 22% em comparação ao ano anterior.

http://www.valor.com.br

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