Empresa de SC usa nanotecnologia e muda mercado mundial da beleza

Ricardo Henrique Ramos, CEO, e Betina Giehl Zanetti Ramos, diretora técnica da Nanovetores Tecnologia SA (Foto: Michel Theo Sin/Divulgação)Ricardo Henrique Ramos, CEO, e Betina Giehl Zanetti Ramos, diretora técnica da Nanovetores Tecnologia SA (Foto: Michel Theo Sin/Divulgação)

 

Há uma revolução silenciosa em curso em Florianópolis. No centro de produção da Nanovetores S.A., no Sapiens Parque, uma tecnologia imperceptível ao olho humano, ou melhor, em estruturas equivalentes a uma escala de bilionésimo de metro, está revolucionando o mercado de cosméticos, têxtil, odontológico, alimentício e hospitalar em escala planetária.

Em nove anos de atuação, a empresa se consolidou como precursora no uso da nanotecnologia com foco na sustentabilidade e se faz presente no dia a dia de milhões de pessoas em 22 países.

O que a empresa faz é encapsular seus produtos (os ativos) com material natural e biodegradável, obtendo um resultado de longa duração. Eles estão em tecidos que agem para hidratar o corpo ou na liberação de repelente natural, em cremes, loções e perfumes para peles, cabelos, unhas, combate à celulite, além de curativos para queimaduras, escaras e feridas pós-cirúrgicas com cicatrização em três dias. Uma loção, por exemplo, pode ter efeito de até oito horas.

A tecnologia se faz presente em produtos de mais de duas mil empresas, de farmácias de manipulação a grandes multinacionais de cosméticos.

Como surgiu o empreendimento
O caminho que levou a Nanovetores à condição atual de multinacional foi traçado em 2006, a partir de uma pesquisa acadêmica, fruto da tese de doutorado na França da pesquisadora catarinense Betina Giehl Zanetti Ramos, especialista em biossegurança e doutora em Química. Tudo caminhava para uma segura carreira acadêmica, até que ela e o marido, o empresário Ricardo Henrique Ramos, vislumbraram o potencial para transformar a ideia em negócio.

“A empresa nasce como uma global borns, com pilares, plataformas e tecnologia globais. São premissas como sustentabilidade e uso de fontes naturais que estão alinhadas com pensamento do que se busca fora do país”, explica a pesquisadora.

Com a ideia fundamentada, o negócio seguiu o roteiro aplicado a muitos empreendimentos do ramo da inovação, como encubação, plano de negócio, utilização de incentivos e programas de subvenções para pesquisa e desenvolvimento até se tornar uma sociedade anônima em 2012.

A direção técnica foi assumida por Betina, sendo a gestão com Ricardo, que é o CEO. Conforme ele, a escolha de Florianópolis foi fundamental por conta do ambiente propício para se empreender: acessibilidade à mão-de-obra, incentivos governamentais e estrutura para desenvolver negócios e, principalmente, inovar.

“Se tivéssemos optado por outro lugar, acredito que a empresa não estaria na condição em que se encontra hoje. A Nanovetores é um exemplo prático dessa ideia de fomentar startups, das nascentes em universidades com potencial para virar negócios e ganhar o mundo”, adianta Ricardo.

Até desenvolver o seu primeiro produto, um ativo para o tratamento de unhas, foram dois anos de estudos. Atualmente, a Nanovetores investe 30% do seu custo em pesquisa e desenvolvimento de produtos e conta com uma linha de 34 produtos, mas que já chegou a mais de 90.

“Foi uma espécie de milagre de multiplicações de ideias. Fomos experimentando e desenvolvendo até que, a partir de 2012, começamos a dosar por entender que precisávamos ouvir o mercado e trabalharmos alinhados com as necessidades de venda”, sustenta Ricardo.

Entendemos que há uma crise, mas é preciso ter serenidade pois ela passa, assim como as oportunidades que temos que agarrar”
Ricardo Ramos/empresário

Mercado internacional
Ainda que as exportações respondam hoje por apenas 8% da produção da Nanovetores, a entrada no mercado internacional foi providencial para a empresa enfrentar os sobressaltos da atual conjuntura da economia brasileira.

Um escritório foi montado nos Estados Unidos e uma unidade está em fase de instalação na Europa. Os prognósticos de Betina e Ricardo para o futuro são otimistas.

“Entendemos que há uma crise, mas é preciso ter serenidade pois ela passa, assim como as oportunidades que temos que agarrar. Se realizarmos a metade daquilo que estamos projetando, a Nanovetores será em dois anos dez vezes maior do que é”,  projetam os empresários.

Nova unidade
Em abril de 2016 a empresa se instalou em nova unidade, no Sapiens Parque, onde concentram os 60 funcionários. Atualmente dispõe de uma capacidade produtiva instalada para 2 toneladas/dia, mas chegará em breve a 7 toneladas/dia com a nova estrutura.

O grande filão da empresa é o mercado de cosméticos, mas há uma série de projetos em desenvolvimento com clientes de várias partes do mundo. O curativo para queimaduras, citado no início da reportagem, por exemplo, já é uma realidade. Começou a ser desenvolvido em 2010, ao custo de R$ 1,8 milhões, e deve ganhar o mercado em 2017.

“Olhando para atrás, nem nos nossos melhores sonhos imaginaríamos chegar tão longe”, lembra Ricardo.

http://www.g1.com

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