Falta referência para motivar as startups

Por Thomaz Gomes, de São Francisco (EUA) | Da Pequenas Empresas & Grandes Negócios


Roy Glasberg, do Launchpad Accelerator do Google: “A falta de casos de sucesso global acaba aumentando a percepção sobre o nível de risco da região”

Responsável pelas iniciativas de apoio a startups do Google, o israelense Roy Glasberg, 40 anos, é a mente por trás do Launchpad Accelerator, programa de aceleração e mentoria voltado para empreendedores da Ásia e da América Latina. Lançada em 2015, a iniciativa já ofereceu cerca de US$ 80 milhões (entre investimentos, serviços e consultoria) para talentos de países emergentes. Sua terceira edição foi realizada no início de fevereiro, em São Francisco, e reuniu 31 participantes, sendo seis do Brasil e os demais de Índia, México, Indonésia, Argentina, Colômbia, Filipinas, Tailândia e Vietnã. A seguir, Glasberg fala sobre o potencial da colaboração entre startups e grandes empresas de tecnologia.

PEGN: O que motivou a criação do Launchpad?

Roy Glasberg: O acesso a grupos de mentores qualificados é um dos principais fatores de sucesso do Vale do Silício. Ao longo dos anos, nós do Google criamos uma ampla rede de mentores e de estratégias de negócio. O Launchpad Accelerator foi uma maneira de compartilhar isso com o mundo. Queremos usar esse modelo para ajudar países emergentes a criar empresas de impacto e desenvolver seus próprios ecossistemas de startups.

PEGN: Que outros fatores criam um ambiente favorável para as startups?

Glasberg: A presença de investidores com visão de longo prazo é essencial. Nenhum ecossistema de negócios se sustenta sem uma cadeia de acesso a capital. Isso ainda é um enorme desafio nos países da América Latina. A falta de casos de sucesso global acaba aumentando a percepção sobre o nível de risco da região. Isso faz com que muitos investidores tentem se proteger pedindo participações muito altas em troca de aportes relativamente baixos. Com isso, a empresa fica menos atraente para as rodadas seguintes.

PEGN: Como os programas de inovação corporativa se encaixam nesse contexto?

Glasberg: Programas de grandes empresas, como é o caso do Launchpad, costumam esperar contrapartidas menos agressivas do que as exigidas pelos fundos de capital de risco. As corporações que investem nesse tipo de iniciativa não dependem desses investimentos para sobreviver. Diferentemente das outras modalidades de investimento, não estão em busca de oportunidades bilionárias no curto prazo. Esse tipo de apoio, o corporate venture, tem se revelado uma peça importante para preencher a lacuna de capital semente nos países emergentes. Acredito que todas as companhias deveriam se comprometer com isso.

PEGN: Qual é o posicionamento do Google nesse sentido?

Glasberg: O programa perderia o seu propósito se eu começasse a analisar a questão sob a perspectiva de retorno sobre investimento. A área de aquisições do Google e o Launchpad são entidades separadas e independentes. É por isso que não pedimos participações nas empresas.

PEGN: Mas existe alguma expectativa de retorno, certo?

Glasberg: Pedimos apenas para que as startups continuem a trabalhar e a compartilhar os seus resultados com a gente. Queremos aprender com elas. O Google possui uma infinidade de plataformas e soluções para pequenas e médias empresas. Boa parte dessas tecnologias são criadas em locais como o Vale do Silício. Mas existem diversos aspectos sociais e demográficos que influem profundamente no modo como as pessoas interagem com nossas ferramentas. Nem todos os lugares têm alta conectividade e alta penetração de smartphones de última geração, por exemplo. Esse tipo de iniciativa é uma maneira eficiente de entender o que está acontecendo em mercados emergentes a partir das opiniões de desenvolvedores e empreendedores que usam as nossas soluções no dia a dia.

PEGN: Quais são as suas impressões sobre as startups brasileiras que já participaram do programa?

Glasberg: Tenho visto muitos casos de inovação e de empresas com boas estratégias de monetização. A atitude dos empreendedores e o espírito de colaboração me lembram muito o ecossistema israelense. Mas acho que ainda falta um grande caso de sucesso que motive novas gerações de empreendedores brasileiros. Fundadores de startups precisam assumir grandes riscos pessoais e financeiros. Nesse sentido, histórias que sirvam como referências de mercado são extremamente importantes para motivar mais pessoas a seguir pelo caminho do empreendedorismo.

PEGN: Como as novas políticas de imigração do governo americano podem afetar esse tipo de aproximação com países emergentes?

Glasberg: É difícil traçar uma estratégia, pois ainda não sabemos o que o governo irá fazer. Até o momento, as novas políticas não afetaram os países das startups selecionadas ou do time de mentores que trabalha no programa.

http://www.valor.com.br

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