Quais são as empresas mais inovadoras?

Quais são as empresas que mais inovam no Brasil? Um dos indicadores – mas não o único – é o registro de patentes, um processo moroso e custoso que, uma vez aprovado, assegura judicialmente a proteção da invenção.

Tanto em 2015 quanto no consolidado dos últimos três anos, o ranking aponta que nenhuma outra empresa depositou mais patentes de invenção no Brasil que a Whirlpool, detentora de marcas como Brastemp, Consul e KitchenAid. O país é o segundo maior mercado da companhia americana no mundo. A gigante também aparece na lista das 500 empresas mais inovadoras do mundo, no ranking de registros de patentes da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi).

“O investimento contínuo, interno, em cooperação e a certeza de que inovação é pilar da competitividade tornam natural a relevância da companhia em depósito de patentes”, diz Guilherme Marco de Lima, diretor de relações institucionais e comunicação da Whirlpool Latin America. Em 2015, a companhia fez 258 pedidos de patentes – 103 no Brasil e 155 no exterior. A unidade de Joinville (SC) é responsável pela maioria dos pedidos.

Só em 2015, a Whirlpool lançou cerca de 200 produtos no país, número que deverá ser repetido ao longo deste ano. O processo de inovação da gigante passa por seus 23 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento e quatro centros de tecnologia no Brasil. Por ano, ela realiza entre 60 e 80 pesquisas com cerca de 10 mil consumidores locais. “Em 2015, 23% da receita da Whirlpool vieram de produtos inovadores. Conseguimos essa receita porque destinamos de 3% a 4% do nosso faturamento para P&D, independentemente do cenário político-econômico”, afirma Lima.

Todos esses aportes renderam ao país o título de referência mundial em tecnologias de refrigeração. Ele explica que a companhia tem três critérios para que um produto seja considerado inovador – a inovação tem que ser facilmente percebida pelo cliente, é necessário haver um padrão para ela ser repetida e, por fim, apresentar uma boa relação custo-benefício para o consumidor e para o acionista. Se após o desenvolvimento de uma inovação, por algum motivo, ela não atender os três critérios, todo processo é revisto. “Entendemos que isso faz parte da cadeia de inovação”, diz Lima.

Na parte de produtos, uma das inovações da companhia é a B.blend, máquina da Brastemp que produz mais de 20 sabores de bebidas quentes, geladas, com ou sem gás. “É uma das principais inovações em eletrodomésticos das últimas décadas”, garante. No ano passado, a B.blend virou uma join-venture com a Ambev.

Entre as companhias nacionais, a Vale é um dos destaques da lista de depósitos de patentes de 2015 do INPI. Na mineradora, o processo de inovação é estruturado em múltiplos níveis, a exemplo do “chão de fábrica”, com patentes nascidas da necessidade do funcionário ao se defrontar com um problema específico nas minas, nos portos e nas ferrovias são organizadas nos CCQ (Círculos de Controle de Qualidade), nos processos de avaliação 6 Sigma e no VPS (Vale Production System).

“Estes circuitos encontram-se muito bem estruturados dentro da Vale e geram economias de dezenas de milhões de reais a cada ano. Esses mesmos processos produzem patentes de novos processos ou produtos (equipamentos)”, diz Luiz Mello, gerente-executivo de tecnologia e inovação da empresa.

A Vale investe cerca de 0,5% de seu faturamento em P&D, com foco principalmente no Brasil, Canadá e Moçambique. “Há um fluxo de inovações na empresa onde aprendizados que decorreram de outros negócios como a bauxita, por exemplo, migraram para a área de níquel.”

Como o prazo médio de concessão de patentes no Brasil é de mais de dez anos, uma ação tomada pela Vale é a realização de análises de patenteabilidade considerando “buscas de anterioridades” para todas as suas patentes depositadas. Com isso, diminui-se qualquer tipo de risco.

Já a Fibria, empresa criada em 2009 da fusão da VCP e da Aracruz e com mais de 90% de sua receita líquida advinda das exportações, enxerga na inovação um de seus pilares. Ela tem um processo de governança da inovação considerado robusto, que vai desde um comitê de inovação que assessora o conselho de administração da empresa, uma diretoria de tecnologia e inovação e uma estrutura bastante sólida dentro do centro de tecnologia. São mais de 50 pesquisadores que englobam todas as fases da produção de celulose e papel, desde o melhoramento genético e biotecnologia ao manejo e proteção das florestas.

“A Fibria decidiu trilhar o caminho da inovação como forma de se diferenciar da concorrência e patentes são uma das estratégias que priorizamos para proteger nosso desenvolvimento. Criamos uma gerência dedicada a este assunto, que interage com toda a organização e identifica oportunidade e riscos nas mais diferente, áreas”, afirma Cesar Bonine, gerente de assuntos regulatórios e propriedade intelectual da Fibria. Por ano, ela investe mais de R$ 80 milhões em P&D.

http://www.valor.com.br

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