Com R$ 7,1 mi do BNDES, Museu de Congonhas foi inaugurado nesta terça, 15, em Minas Gerais

Construído com apoio não reembolsável de R$ 7,1 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi inaugurado nesta terça-feira, 15, o Museu de Congonhas, em Minas Gerais.

O empreendimento – uma iniciativa da Fundação Municipal da Cultura, Lazer e Turismo (Fumcult), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – contou com recursos do Programa BNDES para Desenvolvimento da Economia da Cultura (BNDES Procult). A inauguração do museu, que é um dos mais importantes projetos de preservação da memória do País, contou com a presença da presidente Dilma Rousseff.

A instituição está instalada em um espaço de 3.452,30 m², anexo ao Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, sítio histórico que, desde 1985, tem o título de Patrimônio Cultural Mundial. Sua construção teve início em 1757 e se estendeu até o começo do século XIX. Trata-se de um conjunto arquitetônico e paisagístico formado pela basílica, escadaria em terraços decorada por esculturas dos 12 Profetas em pedra-sabão e seis capelas com cenas da Via Sacra, contendo 64 esculturas em cedro em tamanho natural. No conjunto trabalharam os artistas de maior destaque do período, como o escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), e o pintor Manoel da Costa Ataíde (1760-1830).

O projeto arquitetônico de Gustavo Penna, escolhido em concurso nacional, contempla em três pavimentos sala de exposições, reserva técnica, biblioteca, auditório, ateliê, espaço educativo, cafeteria, anfiteatro ao ar livre e áreas administrativas.

Por ter como principal temática um patrimônio mundial a céu aberto – o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos ¬–, o equipamento funcionará como “museu de sítio”, numa espécie de mediação entre o santuário e o público.

Foram investidos R$ 17,8 milhões no projeto, que além do apoio do BNDES contou com recursos próprios do município e patrocínios captados por meio da Lei Rouanet. O monumento possui ainda uma Sala de Milagres, onde está exposta a notável coleção de 89 ex-votos pintados, datados dos séculos XVIII ao XXI. O santuário, além do seu valor artístico, é também um importante centro de peregrinação. A grande romaria – o Jubileu – acontece todos os anos entre 7 e 14 de setembro, congregando uma multidão de fiéis.

Exposição –
A exposição permanente que inaugura o Museu de Congonhas tem curadoria assinada pelos museólogos Letícia Julião e René Lommez. A mostra retrata o santuário como expressão de trânsito cultural resultante da expansão portuguesa; da relação do espaço religioso com a vida urbana de Congonhas; do santuário como obra de arte; do trabalho do Aleijadinho, mas, sobretudo da produção artística, como resultado de processo coletivo de distintos artífices; e do deslocamento da arte como transcendência da fé para o objeto de devoção convertido em arte.

O projeto expográfico, assinado pelo designer espanhol Luis Sardá, preza pelo cuidado com a diversidade do público que visita a cidade, oferecendo-lhe inúmeras possibilidades de apreensão do rico conteúdo do museu.

Acervos –
O Museu de Congonhas abre suas portas ao público exibindo importantes acervos. Um dos principais é a coleção Márcia de Moura Castro. Composta por 342 peças que pertenceram à colecionadora, as obras foram adquiridas pelo Iphan em 2011. Por mais de meio século, a pesquisadora dedicou-se a adquirir arte sacra e objetos de religiosidade popular, com destaque para ex-votos e santos de devoção. A coleção será exposta numa sala especial no Museu de Congonhas.

Cópias de segurança – A ocorrência de lesões à pedra causadas por fungos e bactérias e marcas de vandalismo motivam frequentes debates sobre a possibilidade de remoção dos profetas de Aleijadinho, que estão ao ar livre no adro da Basílica do Senhor Bom Jesus, para um local protegido. Se, no futuro, essa medida vier a ser recomendada, o museu será a melhor alternativa para a exposição das peças originais ao público, já que se localiza no mesmo contexto em que as obras foram criadas.

O Museu de Congonhas produziu, por meio de ações coordenadas pela Unesco no Brasil, novos conhecimentos para a conservação de monumentos em pedra, em especial relativos à produção de cópias digitais das esculturas, além da atualização da técnica de produção de cópias físicas. Os 12 Profetas foram moldados em meio eletrônico (digitalização em 3D), o que correspondeu à primeira aplicação dessa tecnologia no Brasil. Para dois deles – Joel e Daniel – foram produzidos novos moldes em fôrma flexível de silicone, possibilitando a produção de cópias em gesso. A produção das demais cópias deverá fazer parte do escopo de atuação do novo museu.

Para a ação, foi contratado o grupo Imago, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que detém a expertise exigida para o trabalho. A digitalização em 3D possibilita, dentre outros, a visualização pura e simples (no museu ou remotamente pela internet), o uso profissional na preservação e restauro das obras, o monitoramento do estado de conservação das peças frente à ação do tempo, o estudo minucioso da obra e a compreensão das técnicas utilizadas pelo artista e, finalmente, a produção de réplica com grande precisão.

fonte:BNDES
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