Tecnologias ‘vestíveis’ rastreiam os idosos

Estudo da empresa de pesquisas globais Markets and Markets prevê que as vendas de eletrônicos “vestíveis” devem crescer 30,4% ao ano e movimentar US$ 8,3 bilhões, no mundo, até 2018. No Brasil, empreendedores do Rio de Janeiro, Distrito Federal e Minas Gerais querem disputar essa fatia com tecnologias recém-criadas, em forma de relógios, pulseiras e chaveiros.

Com recursos de monitoramento e comunicação remota, as novidades prometem rastrear crianças e idosos com necessidades especiais. Algumas companhias já planejam faturar R$ 2,8 milhões em 2016.

A carioca Guarddy criou um relógio com o mesmo nome, com recursos de geolocalização para crianças e adultos. É capaz de rastrear o dono do objeto em tempo real, salvar históricos de percursos e até criar uma zona de segurança: se o acessório sair de uma área demarcada, a central será avisada. Também pode receber ligações e conta com botão de emergência.

Feito de silicone e alumínio, o relógio está disponível em quatro cores. Custa R$ 700, mais uma mensalidade de R$ 7,80, por conta do sistema de rastreamento. Segundo os fundadores da empresa, João Mendes Neto e Olegas Orlovas, já foram vendidas 80 unidades em dois meses. “Temos uma lista de espera de 720 itens”, garantem.

Mendes explica que a ideia de criar o relógio surgiu quando a filha do sócio “sumiu” no condomínio em que mora. “Na verdade, ela estava apenas brincando no parquinho, mas como seria se, a qualquer momento, pudéssemos saber onde nossos filhos estão?”

A tecnologia foi desenvolvida em oito meses e o plano é estender a facilidade para rastrear mercadorias e animais de estimação. A empresa projeta um faturamento de R$ 2,8 milhões em 2016. “Além da venda, o produto gera uma receita recorrente por conta da mensalidade do aplicativo.” Há estudos também para adaptar o negócio ao modelo de franquias.

A Guarddy quer captar US$ 500 mil em investimentos, para escalar a produção e apoiar ações de marketing. Recentemente, participou da plataforma de crowdfunding Kickante, para levantar verba e apresentar o produto no mercado. “A validação do relógio pelo público foi muito boa e recebemos uma lista de pedidos”, diz. “Por meio da campanha, fechamos parcerias com distribuidoras e fizemos contato com investidores.”

Também no nicho de monitoramento, a startup mineira i-Care desenvolveu uma pulseira para idosos que moram sozinhos. O dispositivo coleta informações como batimentos cardíacos e temperatura, além de detectar quedas. Se acontecer alguma anormalidade, envia notificações para um aplicativo que fica com os familiares do usuário, explicam os sócios Ana Cláudia da Mata e Ivens Leão, que formalizaram a empresa em junho.

Atualmente são mais de 26 milhões de idosos no Brasil, ou 13% da população, segundo dados da Pnad

A pesquisa para desenvolver o produto demorou seis meses e foram entrevistadas mais de 120 pessoas, entre idosos e médicos. “Notamos que o mercado de idosos é um nicho que tem muito a ser explorado”, diz Ana Cláudia. Atualmente são mais de 26 milhões de idosos no Brasil ou 13% da população, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

A ideia dos empreendedores é iniciar as vendas da pulseira em março de 2016. O preço estimado é de R$ 450,00, mais R$ 14,90 de assinatura. Também querem captar R$ 800 mil em investimentos, destinados à produção e estruturação da empresa. A i-Care é apoiada pela Berrini Ventures, aceleradora de negócios da área de saúde patrocinada por grupos como o laboratório Sabin, Pfizer, Hospital Samaritano, Qualicorp e Unit Care.

Com sede em Brasília (DF), a Click Help desenvolveu, durante dois anos, um chaveiro com recursos de rastreamento via GPS. “Foi feito para ajudar idosos e pessoas com deficiência”, diz o CEO Orlan Almeida. Tecnologias como um canal de rádio frequência permitem que o produto receba chamadas, dispensando o uso de celular. Em situações de emergência, o usuário envia alertas para os parentes.

“Nosso primeiro projeto foi uma tornozeleira eletrônica para presidiários”, diz Almeida. “Daí, veio o caminho para desenvolver produtos similares.” O objetivo é começar a faturar com a novidade a partir de março de 2016. O preço da adesão é R$ 199, mais mensalidade de R$ 99. O faturamento previsto para 2017 é de R$ 400 mil, segundo o empresário.

Carlos Zago, responsável pela aceleração de startups da Berrini Ventures, diz que o grande desafio das empresas de tecnologias vestíveis voltadas para o cuidado humano não é apenas desenvolver sensores precisos, mas aliá-los a softwares que usem os dados coletados para alterar o modo como os usuários se relacionam com os serviços de saúde. Com isso, segundo ele, será possível monitorar melhor os pacientes a distância ou avaliar o sucesso de uma terapia antes do retorno ao médico.

“O mercado está saturado de pulseiras de várias cores e formatos que prometem mudar o nosso estilo de vida”, diz. “Vai se destacar quem conseguir desenvolver melhor o conceito de bem estar do usuário, seja ele um atleta de final de semana ou um paciente que precisa de atenção.”

No mercado externo, grandes marcas investem na área. Segundo a empresa de pesquisas IDC, a Apple, que lançou o Apple Watch em junho, vendeu 3,6 milhões de relógios no segundo trimestre de 2015. Um dos maiores rivais da fabricante é a Fitbit, de pulseiras que controlam atividades físicas.

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