Stefanini e o mercado de crédito de TI no Brasil

Presente em 34 países dos cinco continentes, a Stefanini construiu boa parte de sua internacionalização com recursos próprios. Por ser uma empresa de tecnologia da informação (TI), o processo de implementar uma base em outro país requer menos custos, já que todos os imóveis são alugados. As principais despesas ficam concentradas na prospecção de mão de obra no mercado local e posterior treinamento, procedimentos que normalmente são acompanhados por profissionais brasileiros.

A exceção aconteceu em 2010, quando a empresa contraiu US$ 90 milhões em uma operação de crédito de longo prazo junto a dois bancos globais para a aquisição da Tech Team (EUA), CXI (EUA) e da Informática&Tecnologia (Colômbia). Segundo Marco Stefanini, CEO global do Grupo Stefanini, a opção se deu em razão dos juros serem bem mais baixos em relação ao que encontraria nos bancos brasileiros. “Os juros no Brasil são muito altos e nosso negócio possui um retorno baixo. Se assumíssemos uma dívida em real, haveria um risco grande. Como parte de nossa receita é em dólar, a operação tornou-se viável já que oferecemos garantias para poder alongar a dívida”, afirma.

Até recorrer ao sistema financeiro, a Stefanini já havia ingressado em 17 países. O início foi em 1996, com um escritório em Buenos Aires, onde atuavam cerca de 10 funcionários – hoje, são cerca de 400, diz o CEO. Até a compra da Tech Team, a internacionalização foi sempre por meio da abertura de filiais em “greenfield” (saindo do zero).

A última aquisição no exterior a da americana RCG Sataffing, foi em 2013. Segundo Stefanini, a intenção para os próximos anos é aumentar o faturamento nos países já desbravados, mas deixar de apontar o radar para novos mercados. “Não há urgência. Crescimento sustentável sempre foi a nossa filosofia”, afirma.

A Argentina também foi a porta de entrada para a transformação da Totvs, do setor de softwares de gestão empresarial, em uma multinacional hoje instalada em 39 países, tanto por unidades próprias como por franquias. Segundo Alexandre Mafra, CFO da empresa, o processo de internacionalização iniciou-se na década de 90 em razão das necessidades dos clientes. “Buscamos mercados em que haja oportunidades em produtos nos quais somos fortes no Brasil, como agrobusiness, por exemplo. Ficando geograficamente mais próximos dos clientes, acabamos agregando valor a eles”, afirma.

Ao longo dos anos, sempre com recursos próprios, sem jamais recorrer ao sistema bancário, o processo de internacionalização priorizou o mercado latino-americano, com a preocupação de encontrar sócios para suas franquias que tivessem identidade com a cultura da Totvs. Em 2003, adquiriu uma de suas franquias no México e aproximou-se dos Estados Unidos.

Em outubro de 2012, inaugurou o Totvs Labs, no Vale do Silício (EUA), para desenvolver novas tecnologias e soluções em cloud computing, social media e big data. Segundo Mafra, o centro tecnológico nos EUA não tem expectativa de retorno em curto prazo. O objetivo é criar novas soluções e formar parcerias com empresas e startups locais. “A crise não mudou nosso foco na internacionalização. Continuamos buscando novos mercados, principalmente na América Latina”, diz Mafra.

 

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