Brasil no caminho da inovação?

O Brasil vem lutando e se esforçando para encontrar o caminho das grandes nações inovadoras do mundo. A despeito de ser referência na produção de artigos científicos, o País não consegue traduzir este conhecimento em produtos e serviços novos. As razões para este fenômeno são diversas e estão longe de serem unanimidade. O tema foi um dos motes da audiência pública na Comisssão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado Federal que buscou detalhar os desafios para o fortalecimento do setor de tecnologias da informação e comunicação (TICs)Falta de profissionais qualificados é um dos fatores para a inovação no Brasil não decolar – Foto: Ilustração/InfojovemSegundo o senador Omar Aziz (PSD-AM), o principal problema relacionada à inovação no País se deve ao fato de não haver projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) construídos. O parlamentar alega que, por conta disso, não é possível ter acesso aos recursos existentes. Além disso, ele apontou que falta pessoal capacitado para desenvolver essas atividades.

“Não podem dizer que falta dinheiro [para P&D], porque ele não falta. Dinheiro tem. Faltam projetos e recursos humanos. E isso não se acha na prateleira”, comentou Aziz.

Na visão do diretor geral do Centro de Estudos e Sistemas Avançado do Recife (C.E.S.A.R), Sergio Cavalcante, o problema é mais complexo. A dificuldade principal, segundo ele, é referente à falta de apoio a etapas iniciais da inovação, como estudos e pesquisas e prototipação e validação. Os custos para estas atividades são considerados baixos, em comparação com o desenvolvimento e a comercialização dos produtos e processos. Porém, são as etapas mais caras que receberem maiores incentivos, até por questões relacionadas à fiscalização do uso das verbas oriundas de fundos públicos.

“Conceber é mais barato que construir, você não gasta quase nada. Mas a inovação envolve risco. O problemas é que os órgãos auditores esperam que, no fim, haja um produto. Se você sabe o resultado final, isso é desenvolvimento, e não uma inovação”, observou Cavalcante, um dos maiores especialistas do País em inovação.

Sugestão

O efeito relatado pelo senador é sentido especialmente em setores que requerem alta tecnologia. Uma das medidas propostas pelo amazonense para dar sanar o problema seria a necessidade de contrapartida das empresas eletroeletrônicas que poderiam, por exemplo, enviar ao País profissionais altamente capacitados para que eles pudessem capacitar os recursos humanos brasileiros e gerar mais patentes dentro do Brasil.

Tecnologias digitais

 Atualmente, a inovação é intimamente ligada com o desenvolvimento de tecnologias digitais. Cada vez mais os aparelhos utilizados no cotidiano interagem com outros por meio d a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), além da evolução natural de equipamentos que já usamos. Para o secretário de Políticas de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Virgilio Almeida, o Brasil precisa avançar em pontos chave agora, para não perder o bonde da história.

As ações, segundo ele, precisam ser pulverizadas em diversas frentes: legislação, apoio a startups, formação de recursos, investimento em P&D em áreas estratégicas e garantia da cibersegurança. Com tudo sendo feito a contento, o dirigente acredita que será possível fazer do Brasil um player mundial em tecnologias digitais. Dados do MCTI apontam que os investimentos em tecnologias digitais no País estão por volta de US$ 11,9 bilhões.

“A tecnologia digital não será apenas um setor. Tudo estará conectado, cada vez mais vemos isso acontecer. É um setor enorme e importante para o Brasil, mas principalmente porque leva a inovação para outros setores. Se queremos desenvolvimento e competitividade, precisamos investir em tecnologias digitais”, apontou Almeida.

Tributação

Nos últimos anos, o setor de TIC conheceu um desenvolvimento até então não visto. Uma das razões para estimular os investimentos na área foi a desoneração da folha de pagamentos, que reduziu os custos tributários das empresas e permitiu um maior investimento em P&D. Só no ano passado, foi registrado um aumento de 7,7%. Porém, a pujança pode estar com dias contados.

A medida, porém, está em vistas de ser revogada, diante da necessidade da reordenação das contas públicas por conta do ajuste fiscal. Em busca de novas receitas, o caminho encontrado pela administração central foi a de elevar novamente a tributação sobre a folha de pagamentos. A ação é vista como retrocesso pelo setor e coloca em xeque a continuidade da expansão do setor de TIC.

“Um aumento da tributação para 4,5% tem o poder de erodir 81 mil empregos e reduzir 0,5% do valor dos salários dos trabalhadores do setor”, alertou o presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Sérgio Paulo Gallindo.

A saída apresentada por diversas entidades patronais e de trabalhadores de TIC é em escalonar o aumento, com valores flutuando entre 1,5% e 3%. Assim, acreditam, os impactos sobre a cadeia produtiva não serão tão nocivas. “Precisamos ser anticíclicos no aumento, não na redução”, ponderou Gallindo.

http://www.agenciacti.org.br

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