Venture Capital tem R$ 4 bi para o setor de saúde

Nem mesmo a situação macroeconômica ruim tem tirado o apetite dos investidores no setor de saúde no país. Além de estarem capitalizados, os fundos especializados em compra de participação em empresas veem a área como atraente por ser anticíclica e estar em plena expansão.

Há diversas formas e estágios para entrar nesses negócios, mas muitos investidores preferem apostar em empresas iniciantes para potencializar o seu crescimento e consequentemente os recursos nelas aplicados. No total, a indústria de private equity (que olha para grandes operações) e venture capital (que investe entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões) possuíam no final do ano passado R$ 36,4 bilhões disponíveis para investimentos, segundo dados da ABVCAP, associação do setor. Desse total, estima-se que R$ 4 bilhões sejam para aplicar em empresas menores consideradas escaláveis ou de rápido crescimento.

Nesse contexto, saúde desponta no interesse desses fundos. “O interesse dos fundos de venture capital na saúde se explica pelos múltiplos, que chegam a quatro ou cinco vezes do capital investido. Hoje são 124 fundos desse porte no país. Boa parte deles está de olho na saúde”, afirma um experiente estudioso desse mercado, professor Cláudio Vilar Furtado, diretor-executivo do GVCEPE, Centro de Estudos de Private Equity e Venture Capital da FGV.

Furtado explica que parte do interesse dos fundos nas empresas de saúde é porque se trata de um setor que demanda muita aplicação de tecnologia e os investidores gostam disso. “Do back office, passando pelo diagnóstico, até a área hospitalar. Tudo precisa de constante aprimoramento tecnológico. Hoje há bons projetos para se investir nesta área”, avalia o professor.

Tanto é verdade que a gestora de fundos de venture capital Performa Investimentos vem aumentando sua exposição na área. Das 11 empresas em que investe, duas são do setor de saúde. “Acabamos de fechar com uma empresa de saúde que está na sua terceira fase de investimentos e estamos de olho em mais um negócio no setor”, afirma Humberto Matsuda, sócio da Performa, que administra R$ 201 milhões em recursos entre os dois fundos que possui e vê a área com grande espaço para investimento. “Buscamos novas oportunidades. Entendemos que há diferentes mercados dentro de saúde que vão de biotecnologia, equipamentos tecnológicos a serviços”, considera.

Muitos especialistas avaliam que o aumento de interesse pelo setor de saúde se deu mais fortemente de 2005 para cá. Dos 30 fundos que a Finep possui, 11 investem em 21 empresas na área de saúde. Ao todo, elas receberam R$ 200 milhões em recursos. “Desses 11 fundos, tem um que é exclusivo para o setor de saúde que é o BBI Financial, que possui R$ 170 milhões. Já investiu em cinco empresas e deve fechar com mais uma ainda este ano”, revela Guilherme Mantovan, gerente do departamento de investimento em fundos da Finep.

Esses fundos buscam empresas que faturam até R$ 100 milhões por ano e têm encontrado em empresas de biotecnologia, telemedicina, biofármacos, TI para saúde e equipamentos seus principais alvos. “Acabamos de aprovar mais um fundo específico para o setor. O Forward Bio Ventures que está em fase captação e deve atingir R$ 200 milhões em patrimônio”, revela Mantovan. Além desse, outro fundo recém-aprovado, o Brasil Central, dedicará um terço dos R$ 50 milhões em recursos, para negócios na área. “Estamos aumentando nossa exposição em saúde, pois é um setor intensivo em tecnologia e inovação, além de ser anticíclico”, conclui.

Para Fernando Kuzuhara, sócio da F2 Investimentos, que possui parceria com vários fundos de venture capital, saúde está entre os dois setores de maior preferência dos investidores hoje. O outro é a educação. “Esses são setores que crescem dois dígitos, mesmo com o país passando por situação difícil”, avalia.

A F2, que investe na fase inicial de desenvolvimento das empresas, acha essencial manter as parcerias com os fundos maiores para poder fazer a ponte correta quando o negócio precisar de recursos mais volumosos. Há quatro meses investiram entre R$ 100 mil e R$ 150 mil em uma empresa no setor de saúde, a Multifarma, e por meio de aconselhamentos ampliaram o foco de seu negócio. “Como eles começaram a crescer muito rápido, ajudamos a Multifarma a captar novos recursos em uma segunda e terceira rodada com fundos de venture capital para receberem até R$ 10 milhões”, afirma Kuzuhara.

Outro caso em que a F2 auxiliou na rodada de investimentos foi o da SuperDental, na área de odontologia, para receber até R$ 200 mil em investimento. A F2 mantém também parceria com 12 investidores-anjo que juntos detém R$ 700 mil em capital disponível para investimento. “Pelo menos 50% desses recursos devem ir para empresas nas áreas de saúde e educação”, revela.

http://www.valor.com.br

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