Indústria da Saúde é setor estratégico para incentivos do governo

O segmento de saúde é um dos eixos estratégicos do Inova Empresa, plano do governo federal que vai aplicar R$ 32,9 bilhões em inovação nos próximos anos. O programa envolve diferentes ministérios e fontes de recursos e contém quatro linhas de financiamento: R$ 1,2 bilhão para subvenção a empresas, R$ 4,2 bilhões para fomento de parcerias entre empresas e instituições de pesquisa, R$ 2,2 bilhões para participação acionária em empresas de base tecnológica e mais R$ 20,9 bilhões para crédito, com taxas subsidiadas de 2,5% a 5% ao ano, e prazos de 12 anos para pagamento, com carência de quatro anos. Os executores do programa são a Agência Brasileira de Inovação, Finep, e o BNDES.

A prioridade no setor de saúde são os investimentos em oncologia, biotecnologia, e equipamentos e dispositivos médicos. Esta semana, o BNDES aprovou a concessão de um financiamento de R$ 10 milhões para a fabricante de medicamentos Althaia, por meio do Profarma Inovação, programa de apoio ao desenvolvimento do complexo industrial farmacêutico, agora incorporado ao Inova Empresa. Os recursos serão usados para o desenvolvimento de oito novos medicamentos genéricos e para a compra de equipamentos para o laboratório da empresa, em Atibaia (SP).

  Desde 2004, o BNDES Profarma soma um estoque de R$ 1,88 bilhão em financiamentos contratados ou aprovados para empresas do setor, em linhas de crédito para exportação, reestruturação, produção e inovação tecnológica. Desse total, 31% foram voltados para projetos de inovação. O apoio do BNDES para a indústria de saúde inclui também o investimento por meio de fundos de capital de risco. Uma dessas iniciativas é o Criatec, fundo de capital semente desenvolvido em parceria com o Banco do Nordeste para investir em empresas inovadoras. Lançado 2007, o primeiro fundo investiu R$ 100 milhões em 36 startups, nove das quais ligadas ao setor de saúde.

Agora, o BNDES seleciona gestores para uma nova versão do fundo, com R$ 190 milhões, que terá a participação de outros bancos, como o BDMG. “Além disso, vamos lançar o edital do Criatec III no final do terceiro trimestre, e pela primeira vez vamos tentar atrair capital privado para o fundo”, conta Márcio Spata, gerente do departamento de fundos do BNDES. Além de apoiar a inovação, o Criatec atende outra diretriz do banco: estimular a indústria de capital de risco. “Percebemos uma lacuna no segmento de capital semente, que é uma área com maior exposição ao risco do que o private equity e o venture capital”, diz Spata.

Até o momento, o crescimento médio anual das empresas com investimentos do Criatec é de 50%. A ideia, diz Spata, é que o fundo permita que as empresas montem equipes executivas e estruturas comerciais que permitam a elas enfrentar o mercado. “Em geral estamos falando de empreendedores com capacidade de inovação, mas sem experiência em negócios. Dois terços dessas empresas vêm de incubadoras ou parques tecnológicos”, afirma.

Isso exige, no entanto, que as empresas aceitem a interferência dos investidores em sua administração. “Somos um fundo de investimento em busca de lucro, e a empresa deve estar alinhada com seu novo sócio”, diz Spata. Segundo ele, as empresas que recebem aportes do Criatec devem ter faturamento de no máximo R$ 6 milhões por ano.

Uma dessas empresas é a Diagnext, de Niterói (RJ). Criada em 2009 pelos irmãos Leonardo e Alessandro Alves de Melo, na incubadora da Universidade Federal Fluminense, ela recebeu um aporte de aproximadamente R$ 1 milhão em julho do ano passado. Com isso, o Criatec tornou-se dono de 28% da companhia especializada em transmissão remota de diagnósticos por imagem. A empresa foi localizada pelo fundo depois de se cadastrar no site de busca de start ups do Criatec.

Atualmente, a Diagnext está em fase de implantação de sua primeira filial, em Fortaleza. Enquanto redesenha processos internos e investe na adoção de normas de qualidade como a ISO, a empresa também investe em ferramentas mais avançadas de interação com os clientes e em tecnologias que permitam atender novas demandas do mercado, como teleodontologia, telepatologia e telecirurgia, entre outras. Segundo Leonardo Melo, a Diagnext se reinventou depois do aporte financeiro. “Sem ele, tudo isso ia demorar muito mais para acontecer, se é que aconteceria”, admite.

O Criatec também foi uma grande oportunidade de crescimento para a RPH, antiga Radiopharmacus, empresa gaúcha dedicada à produção de fármacos para medicina nuclear, criada na incubadora TecnoPUC, em Porto Alegre. “A empresa já existia há dez anos e estava em uma encruzilhada: ou crescia ou estagnava”, conta Giovane Zanardo, diretor financeiro da RPH. Com o aporte, a empresa deslanchou. “Usamos os recursos para qualificação de mão de obra, melhoria de processos internos, implantação de sistemas de gestão”, enumera.

A empresa, que inicialmente prestava apenas serviços de consultoria, tornou-se pioneira em sua área. “Somos a primeira fabricante brasileira autorizada pela Anvisa a desenvolver uma planta industrial adequada à produção de conjuntos reativos de medicina nuclear, e a única empresa privada autorizada pela agência a produzir e comercializar fármacos para esse mercado no Brasil”, diz Zanardo.

Com a ajuda do Criatec, a RPH vem crescendo de 40% a 50% ao ano e tem hoje uma carteira de clientes que corresponde a cerca de 80% do mercado nacional de medicina nuclear, nicho com alto potencial de crescimento. O próximo passo, afirma Zanardo, é a exportação para a Ásia e a América Latina.

fonte valor on line

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