Plano Inova Empresa permite combinar diferentes fontes de financiamento

Dos R$ 32,9 bilhões anunciados para o Inova Empresa, R$ 28,5 bilhões são investimentos diretos do governo federal e R$ 4,4 bilhões virão de instituições parceiras como a Agência Nacional do Petróleo (R$ 2,6 bilhões), a Agência Nacional de Energia Elétrica (R$ 600 milhões) e do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (R$ 1,3 bilhão). A maior parte dos recursos (R$ 20,9 bilhões) será destinada às linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com juros entre 2,5% a 5% ao ano, pagamento em até 12 anos, quatro anos de carência e cobertura de até 90% do investimento total.

Outros R$ 4,2 bilhões serão destinados a empréstimos a fundo perdido para centros de pesquisa associados a grandes empresas e R$ 1,2 bilhão darão corpo ao orçamento da Finep para subvenção econômica de projetos a empresas diretamente ligadas ao desenvolvimento tecnológico. Ainda há uma parcela (R$ 2,2 bilhões) que será utilizada para a compra de participação acionária do governo em empreendimentos ligados a inovação. A principal diferença do Inova Empresa é que ele permite a combinação entre diferentes fontes para financiar projetos de inovação, que estarão centralizadas por apenas um ministério. O orçamento do pacote deve ser aplicado em dois anos.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o quinhão do governo reúne recursos de 12 ministérios, sendo o MCTI responsável pela articulação entre as pastas. Do total, R$ 22,7 bilhões representam a parcela de dinheiro novo. Ou seja, de recursos que não estavam alocados em projetos de inovação tecnológica. Além de financiar projetos, o orçamento englobou a criação da Embrapii e investimento em infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo Guilherme Marco de Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), o pacote não representa ruptura com as ações anunciadas anteriormente, mostrando a preocupação do governo federal com a continuidade dos projetos. Além disso, a centralização dos recursos traz outra dimensão para a inovação e maior confiança para as empresas.

Entre as ações mais comemoradas está a descentralização do acesso ao financiamento para micro e pequenas empresas. Agora, os empreendimentos de menor porte poderão solicitar financiamento diretamente em seus Estados, em agência de fomento à pesquisa ou bancos estaduais. “Será possível acelerar os projetos de inovação nas cadeias produtivas”, afirma.

Com a injeção bilionária de capital, o governo federal pretende dar um salto qualitativo (de competitividade e produtividade) na indústria. Para isso, conta com a disposição dos empresários em ampliar seus orçamentos para atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A meta é investir 2% do PIB, entre recursos públicos e privados, em curto prazo. “Na média, as empresas brasileiras ainda investem pouco”, lembra Luiz Carlos Di Serio, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e coordenador-adjunto do Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Vargas.

Dados do ministério mostram que, entre 2001 e 2010, os aportes em inovação, em comparação com o PIB, evoluíram de 1,30% para 1,62%, sendo as empresas responsáveis por menos de 50% dos recursos aplicados na década. Em países de alta intensidade tecnológica, como Alemanha, Estados Unidos e Coreia do Sul, as empresas normalmente aplicam mais que o dobro do investido pelo governo.

“O plano federal somente renderá frutos se as empresas utilizarem os recursos disponíveis. Atendemos ao pleito por mais recurso público. Agora é a vez de as empresas entrarem firmes no jogo”, conclui o ministro Marco Antonio Raupp. 

fonte: valor on line

 

 

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