Cresce procura por financiamento

Cresce procura por financiamento

Por Adriana Aguilar | Para o Valor, de São Paulo

 

 

Admilson Monteiro Garcia, do Banco do Brasil: expectativa de emprestar US$ 18 bilhões em 2011 por meio de ACC e ACE

 

Pequenas e médias empresas (PMEs) exportadoras, que necessitam de capital de giro para financiar a produção, contam com linhas de financiamento com taxa de juro competitiva em relação aos tradicionais empréstimos oferecidos pelos bancos. As linhas Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) permitem adiantamento de até 100% do valor da exportação.

Nas duas operações há necessidade de fechamento de contrato de câmbio. Para as empresas, a grande vantagem é o financiamento em moeda estrangeira, tendo como base a taxa de juro Libor, que fica em torno de 1% ao ano. Nas operações com ACC e ACE, a taxa Libor é acrescida de um cupom que varia conforme o volume da operação, prazo envolvido, análise de crédito do cliente do banco e garantias oferecidas.

“Para as pequenas e médias empresas exportadoras, o ACC e o ACE é uma grande vantagem. No entanto, boa parte delas ainda desconhece a linha pela falta de prática nas exportações”, afirma o gerente executivo de Investimentos e Comércio Exterior do Segmento de Pequenas e Médias Empresas do Santander, Marcus Matos.

Nas operações de ACC e ACE a vantagem é o financiamento em moeda estrangeira, como taxa de juro Libor

O ACC só pode ser contratado em até 360 dias antes do embarque ou da produção da mercadoria a ser exportada. Ao fechar o contrato de câmbio de exportação, o cliente recebe antecipadamente os recursos do banco para aplicá-lo na compra de matérias primas para a empresa, por exemplo. O percentual do financiamento é de até 100% do valor do contrato de câmbio. Quando houver o pagamento da mercadoria enviada ao exterior, o banco ficará com o ingresso de divisas.

Após o embarque da mercadoria ao exterior, mediante a transferência ao banco dos direitos sobre a venda, a pequena empresa exportadora também pode antecipar o recebimento dos recursos. Neste caso, trata-se da operação ACE. Na prática, é comum as operações de ACC se transformarem em ACE (após o embarque). O objetivo é o alargamento do prazo de pagamento da operação.

No Banco do Brasil (BB), o carro chefe no financiamento à exportação são as linhas ACC e ACE dentre os vários produtos de financiamento ao comércio exterior à disposição dos clientes. “Neste segmento, o BB é o maior player do mercado no financiamento de micro, pequenas, médias e grandes empresas exportadoras”, afirma o diretor de negócios internacionais do Banco do Brasil, Admilson Monteiro Garcia.

De janeiro a 22 de novembro passado, o total financiado no Banco do Brasil por meio das linhas ACC e ACE correspondia a US$ 16 bilhões, com projeção de fechar 2011 com o volume de US$ 18 bilhões. No ano passado, o volume total financiado correspondeu a US$ 12,7 bilhões e, em 2009, US$ 11 bilhões. “A exportação brasileira é crescente. À medida que temos mais empresas exportando, aumenta a demanda por crédito, mesmo durante o período de instabilidade na economia na Europa e nos Estados Unidos”, afirma Monteiro Garcia.

O que se nota é que as pequenas e médias empresas estão participando mais ativamente da pauta de exportação. Do total de 15 mil operações com ACC e ACE realizadas pelo Banco do Brasil, entre janeiro e outubro de 2011, 53% foram contratadas por pequenas e médias empresas. Neste período, o volume financiado para as PMEs cresceu 45,3%, comparado aos valores dos 10 primeiros meses em 2010.

As operações de empréstimos por meio da linha ACC e ACE, no Banco do Brasil, podem ser feitas em euro, dólar ou iene. O segmento de pequenas empresas exportadoras do Banco do Brasil, que mais acessam a linha de empréstimo ACC e ACE, é composto por comerciantes de artefatos de couro, calçados, minerais não metálicos, produtos de madeira e indústria de móveis. Para as médias empresas, acrescenta-se à lista: produtos alimentícios, máquinas e equipamentos. “A demanda está muito aquecida. Há novas empresas e novos setores entrando no mercado de exportação”, diz Monteiro Garcia.

Segundo o diretor do Banco do Brasil, um dos diferenciais da instituição estatal é a capacitação para exportação dada ao micro, pequeno e médio empresário. É oferecido serviço de consultoria e treinamento aos executivos e funcionários. A capacitação ocorre por meio de um conjunto de 10 módulos. Cabe às empresas selecionarem os temas associados às negociações praticadas por ela.

Marcus Matos informa que, no Santander, a participação das pequenas e médias empresas nas exportações foi ampliado. Também aumentou a demanda pelas linhas ACC e ACE por parte das PMEs. O banco optou por não divulgar os percentuais. “Os pequenos e médios empresários estão buscando novos mercados e se familiarizando com a exportação, principalmente, a partir do segundo semestre de 2011, com o dólar em torno de R$ 1,80”, diz o executivo.

No Bradesco, as linhas ACC e ACE estão acessíveis às empresas exportadoras – clientes do banco que já contam com linha de crédito aprovada. Apesar de instabilidade macroeconômica na Europa e nos Estados Unidos, os recursos para financiamento não faltaram, principalmente, quando se trata de PMEs. “Historicamente, em momentos de aperto da linha, sempre prestigiamos a pequena e média empresa”, afirma a diretora da área Internacional e do Departamento de Câmbio do Bradesco, Marlene Millan.

Nos primeiros 10 meses de 2011, o volume de recursos emprestados às empresas exportadoras (grande, média e pequena), da carteira de ACC e ACE do Bradesco aumentou 48% sobre o mesmo período do ano passado. “Costuma ser uma linha competitiva, quando comparada às outras modalidades de crédito, como capital de giro. Por isso, acreditamos no crescimento dos empréstimos em 2012, diz Marlene.

Para se ter uma ideia da participação dos pequenos e médios empresários nas exportações, de janeiro a outubro de 2011, o volume de fechamento de câmbio de exportação, por parte das PMEs, correspondeu a 23% em relação a todo volume exportado no Bradesco.

Também no Itaú Unibanco, a superintendente de empresas, Valéria Mortari, notou que os novos clientes no segmento de pequenas e médias empresas, com perfil exportador, mantiveram as exportações no decorrer de 2011. Ao mesmo tempo, as PMEs aumentaram a demanda pela operação de empréstimo ACC e ACE ao longo do ano.

“Um salto maior teve início em meados de maio de 2011. Tivemos um crescimento de 46% em nossa carteira, se compararmos o mesmo período outubro de 2010 sobre outubro de 2011”, afirma Valéria.

Por ser a forma mais barata para a empresa exportadora se financiar no mercado, a demanda pelas operações de empréstimo ACC e ACE também esteve aquecida, durante 2011, no HSBC. “Cada vez mais temos visto empresas iniciando as suas atividades exportadoras, seja pelas vantagens de seu respectivo financiamento, seja para conquistar novos mercados, principalmente países da América Latina”, afirma o diretor de produtos pessoa jurídica do HSBC, Rodrigo Caramez.

 

Fonte: Valor Econômico

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